Para quem acompanha com certa assiduidade os blogs e sites católicos, graças a Deus inumeráveis hoje em dia, as coisas por aí começam a aparecer sem a nuvem que antes as encobriam. Quero dizer: uma vez que se distinga o que é, de fato, o catolicismo, a enorme onda de discrepâncias que assolam a Igreja vai se fazendo notar. Naturalmente, a uma visão mais clara se segue uma conduta mais firme, mais decidida, isto é, menos politicamente correta, menos morna.
Quem vive o seu catolicismo com o intuito de não despertar animosidades, faz disto a motivação da sua fé e não pode ficar sem trair a verdade. Não digo que o objetivo seja despertar estas tensões, mas é bom compreender que a firme adesão a qualquer coisa que se ame, naturalmente atrai, seja a admiração, seja o desgosto de outros. Quem, ao contrário, busca somente agradar a todo mundo, apenas prova que não ama verdadeiramente nada, a não ser a si mesmo.
É muito interessante notar que Jesus afirma, categoricamente, que os seus discípulos seriam, também, perseguidos, "pois o servo não é maior que o Senhor". Esta perseguição supõe a tomada de uma posição explícita, o que sempre desgosta a alguém. Não se pode pretender agradar a todo mundo sem que se abra mão da sinceridade. Ou, como diz Nosso Senhor: "Não podeis servir a dois senhores".
Então, o primeiro traço dos capituladores da Fé é o excessivo respeito com tudo. É o que Pio XII chamou de "falso irenismo": tudo torna-se aceitável desde que as relações pacíficas não sejam rompidas. O campo da verdade, neste contexto, pouco importa. É o relativismo doutrinal em função dos respeitos humanos. Terrível!
Há, porém, um outro ponto a se evitar. Os que começam a ver este contexto com uma certa clareza, naturalmente terão qualquer tipo de indignação por esta atitude covarde de uma apostasia prática. Isto pode tender a despertar uma reação maximamente contrária, não digo fidelíssima, mas violentíssima, que tenha como objetivo primário a criação de tensões. Isto também é problemático.
Se os enfrentamentos estão presentes na vida cristã, eles não são senão consequência da coerência de um sujeito com os princípios que adotou. Isto quer dizer que as tensões são posteriores à adesão. Há, porém, quem simplesmente adira a algo já em vista do que isto pode gerar. Há quem se delicie na admiração da própria capacidade de causar estranheza. Isto, além de imaturidade, é tão somente outra forma velada da mesma vaidade anterior.
Porém, estes diversos tipos de erro podem ser todos evitados se começamos a considerar a Fé como algo muito sério. Isso mesmo: pode ser muito comum que alguém milite pela Fé e, no fundo, apenas o faça por diversão. Seria como uma "brincadeira de adultos". Para que se compreenda, de fato, o que é a Fé Cristã, estas criancices devem ser deixadas. Certos tipos de arrogâncias que se tornou comum observar por aí apenas revelam a compreensão pueril que alguns têm da Religião. Parece, nestes casos, ter havido qualquer tipo de mera apropriação dos conceitos, ao invés de um mergulho no abismo da Fé que deve caracterizar a adesão cristã.
A proposta é, então, ver no Cristianismo algo seríssimo; tão sério que valha o investimento da própria vida. A lógica, então, torna-se outra: quando percebo que Ele me ultrapassa infinitamente, não mais tendo a usá-lo como meio de auto-promoção. É aí que o homem velho, escondido sob a capa de uma devoção artificial, é realmente golpeado; começa aí o verdadeiro combate e é neste ambiente que surgem, em todo o seu verdadeiro brilho, para além dos conceitos, as virtudes cristãs: a humildade, o amor, a pureza, a santidade.
Enquanto pensarmos que o bom odor de Cristo pode ser exalado a partir da nossa própria violência, o máximo que conseguiremos é um horrível cheiro de suor. Claro... haverá quem diga que é preciso educar o nariz para perceber a sutileza de tal cheiro... Há discurso pra tudo. Porém, quando realmente O encontramos e deixamos de brincar, então a Fé, a Igreja, os Valores... tudo isto brilha e encanta.
É como dizia Sto. Agostinho:
"Chamaste e rompeste a minha surdez"
"Brilhaste e venceste a minha cegueira"
"Exalaste perfume e respirei".
Todos estes efeitos supõem um contato primeiro com Ele. Do contrário, seriam apenas conceitos repetidos... notícia sem substância.
Ainda nas proximidades do último 7 de setembro, dia em que uma fumaça estranha que circulou por certas partes do Brasil, fumaça que, embora saibamos de onde vem, insiste em associar-se às coisas católicas, destaco dois posts:
1- A nota de agradecimento de D. Aldo Paggoto aos que apoiaram a sua atitude de manter-se católico e desaprovar o famoso evento do Grito dos Excluídos, bem como ser contra o plebiscito pelo limite da propriedade da terra. Leiam aqui.
2- O hilário Frei Rojão faz também um breve comentário sobre o Grito. Leiam aqui.
A nossa Terra de Santa Cruz enfrenta um de seus piores momentos. O comunismo galopa como o cavaleiro vermelho do Apocalipse, trazendo consigo os flagelos do aborto, da destruição da família, da perseguição religiosa, do ateísmo programático, do narcotráfico.
Em Pernambuco, a Virgem apareceu em 1936 advertindo que o Brasil passaria por uma sangrenta Revolução que instauraria o comunismo no país e traria sofrimento e dor ao povo brasileiro. Com o sangue dos cristãos nas mãos, a Virgem pediu que rezássemos o Santo Terço, em devoção ao Imaculado Coração de Jesus e ao Sagrado Coração de Maria, contra a comunistização do país e em favor da exaltação da Santa Cruz. Pediu penitência e oração.
Esse é o momento de atendermos ao pedido da Virgem!
1000 Ave-Maria's pelo Brasil!
Rezemos o Santo Terço diariamente, até o dia das Eleições, adicionando a início a seguinte petição: "Nossa Senhora Aparecida, livrai o Brasil do flagelo do comunismo!"
Se cada católico brasileiro comprometer-se um Terço pelos 20 dias anteriores à Eleição, teremos rezado 1000 Ave-Maria's, cada um, pelo nosso país!
Comprometamo-nos a rezarmos diariamente o Santo Terço até o fim do pleito, atendendo ao pedido da Virgem, nesta hora difícil que se avizinha.
Caso contrário, com o advento do comunismo, do aborto e da destruição do matrimônio e da família, advirá sobre nós também a Ira de Deus; lembremo-nos que a Virgem disse em La Salette que "a mão do Seu Filho já pesava demais, e já não conseguia segurá-La".
Rezemos, pois!
Replique em seu Blog e listas este apelo, no Brasil e no exterior! Faça chegar o apelo da Virgem a todo o Brasil, pelas diversas mídias católicas: TV's, rádios, Blogs, jornais, revistas... tudo!
A Virgem pediu, a Mãe pediu: nós atendemos! Rezemos!
Recorramos à Virgem Santíssima, Porta dos Céus e Refúgio dos Pecadores! Consagremos a nós mesmos e ao Brasil ao Coração Imaculado de Maria!
Bispos do Brasil, consagrem a Terra de Santa Cruz ao Coração Imaculado de Maria, pois Ela prometeu em Fátima: "No fim, meu Imaculado Coração triunfará!"
Mãe Maria, Nossa Senhora Aparecida, Rainha do Brasil, rogai por nós!
Uma mulher fala pra uma garota: "... hoje em dia, com os meios de comunicação, vê-se aí a importância de se preservar contra as doenças (sexualmente transmissíveis), principalmente contra a gravidez."
“O amor à nossa Mãe será sopro que atice em fogo vivo as brasas de virtude que estão ocultas sob o rescaldo da tua tibieza.” (S. Josemaría Escrivá, Caminho, 492)
**
S. João Damasceno Vinde, todas as nações, vinde, homens de todas as raças, línguas e idades, de todas as condições: com alegria celebremos a natividade da alegria do mundo inteiro! Se os gregos destacavam com todo o tipo de honras – com os dons que cada um podia oferecer – o aniversário das divindades, impostos aos espíritos por mitos mentirosos que obscureciam a verdade, e também o dos reis, mesmo se eles fossem o flagelo de toda a existência, que deveríamos nós fazer para honrar o aniversário da Mãe de Deus, por quem toda a raça mortal foi transformada, por quem o castigo de Eva, nossa primeira mãe, foi mudada em alegria? Com efeito, uma ouviu a sentença divina: «Darás à luz no meio de penas»; a outra ouviu, por seu turno: «Alegra-te, oh Cheia de Graça». À primeira disse-se: «Inclinar-te-ás para o teu marido», mas à segunda: «O Senhor está contigo». Que homenagem ofereceremos então nós à Mãe do Verbo, senão outra palavra? Que a criação inteira se alegre e festeje, e cante a natividade de uma santa mulher, porque ela gerou para o mundo um tesouro imperecível de bondade, e porque por ela o Criador mudou toda a natureza num estado melhor, pela mediação da humanidade. Porque se o homem, que ocupa o meio entre o espírito e a matéria, é o laço de toda a criação, visível e invisível, o Verbo criador de Deus, ao se unir à natureza humana, uniu-se através dela a toda a criação. Festejemos assim o desaparecimento da humana esterilidade, pois cessou para nós a enfermidade que nos impedia a posse dos bens.
Oh Joaquim e Ana, casal venturoso! Toda a criação está em dívida para convosco, porque através de vós ela pôde oferecer ao Criador o dom – entre todos o mais excelso – de uma Mãe venerável, a única digna d’Aquele que a criou. Ditosos os rins de Joaquim, de onde saiu uma semente totalmente imaculada, e admirável o seio de Ana, graças ao qual se desenvolveu lentamente, onde se formou e de onde nasceu uma tão santa criança! Oh entranhas que levastes um céu vivo, mais vasto que a imensidade dos céus! Oh moinho onde foi amassado o Pão vivificante, segundo as próprias palavras de Cristo: «Se o grão de trigo não cair na terra e morrer, ficará só». Oh seio que aleitaste aquela que alimentou o Aquele que alimenta o mundo! Maravilha das maravilhas, paradoxo dos paradoxos! Sim, a inexprimível Encarnação de Deus, cheia de condescendência, devia ser precedida por estas maravilhas. Mas como prosseguirei? O meu espírito está fora de si, dividido que estou entre o temor e o amor; o meu coração bate e a minha língua move-se: não posso suportar a alegria, as maravilhas deitam-me por terra, o ardor apaixonado aprisionou-me num arrebatamento divino. Que o amor vença, que o temor desapareça e que cante a cítara do Espírito: «Alegrem-se os céus, exulte a terra»!
Hoje as portas da esterilidade abrem-se, e uma porta virginal e divina avança: a partir dela, por ela, o Deus que está acima de todos os seres deve «vir ao mundo» «corporalmente», segundo a expressão de Paulo, ouvinte dos segredos inefáveis. Hoje, da raiz de Jessé saiu uma vergôntea, de onde surgirá para o mundo uma flor substancialmente unida à divindade.
Hoje, o «Filho do Carpinteiro», O Verbo universalmente ativo d’Aquele que tudo construiu por Ele, o Braço Poderoso do Deus Altíssimo, querendo afiar pelo Espírito - que é como o seu dedo – a lâmina embotada da natureza, construiu para Si uma escada viva, cuja base está firmada na terra, com o cimo a tocar os céus: Deus repousa sobre ela. É dela a figura que Jacob contemplou, e por ela Deus desceu da Sua imobilidade, ou melhor, inclinou-Se com condescendência, tornando-Se assim «visível sobre a terra, e conversando com os homens». Estes símbolos representam a Sua vinda ao meio de nós, o seu abaixamento condescendente, a sua existência terrena, o verdadeiro conhecimento d’Ele próprio, dado a todos aqueles que estão sobre a terra. A escada espiritual, a Virgem, está fixa na terra, pois na terra ela tem a sua origem, mas a sua cabeça eleva-se até ao céu. A cabeça de toda a mulher é o homem, mas para ela, que não conheceu homem, Deus Pai ocupa o lugar de sua cabeça: pelo Espírito Santo, Ele concluiu uma aliança e, como semente divina e espiritual, enviou o Seu Filho e Verbo, força omnipotente. Em virtude do beneplácito do Pai, não é por uma união natural, mas é superando as leis da natureza, pelo Espírito Santo e pela Virgem Maria, que o Verbo Se fez carne e habitou entre nós. É por aqui que se vê que a união de Deus com os homens se cumpre pelo Espírito Santo.
Hoje é edificada a Porta do Oriente, que dará a Cristo «entrada e saída», e «essa porta estará fechada». Nela está Cristo, «a Porta das Ovelhas», e «o Seu nome é Oriente»: por Ele obtivemos acesso ao Pai das Luzes. Hoje sopraram as brisas anunciadoras duma alegria universal. Alegre-se o céu nas alturas, que debaixo dele «exulte a terra», que os mares do mundo bramam, porque no mundo acaba de ser concebida uma concha, a qual pelo clarão celeste da divindade conceberá em seu seio, gerando a pérola inestimável, Cristo. Dela sairá o «Rei da Glória», revestido da púrpura de sua carne, para «visitar os cativos», e «proclamar a libertação». Que a natureza transborde de alegria: a cordeirinha vem ao mundo, graças à qual o Pastor revestirá a ovelha, tirando-lhe as túnicas da antiga mortalidade. Que a virgindade forme os seus coros de dança, pois nasceu a Virgem que, segundo Isaías, «conceberá e dará à luz um filho, que será chamado Emmanuel, o que quer dizer "Deus conosco"».
«Bendito o que vem em nome do Senhor», «o Senhor é Deus, e iluminou-nos»; «Celebremos uma festa» para o nascimento da Mãe de Deus. Rejubila, Ana, «estéril que não davas à luz; ri de alegria e de júbilo, tu que não tiveste as dores de parto»! Rejubila, Joaquim: de tua filha «um menino nos nasceu, um filho nos foi dado (...) e ser-lhe-á dado este nome: Anjo do grande Conselho (quer dizer, Salvação do Universo) Deus Forte». (...) «Se alguém não reconhece por Mãe de Deus a Santa Virgem, está separado da divindade». A frase não é minha, mas no entanto pertence-me: recebi-a como precioso tesouro e herança teológica do meu pai Gregório, o Teólogo.
Oh Joaquim e Ana, casal bem-aventurado e verdadeiramente sem mancha! Pelo fruto do vosso seio fostes reconhecidos, segundo a palavra do Senhor: «Pelos seus frutos os reconhecereis». A vossa conduta foi agradável a Deus e digna daquela que nasceu de vós. Tendo levado uma vida casta e santa, engendrastes a jóia da virgindade, aquela que deveria permanecer Virgem antes, durante e depois do 20 parto, a única sempre Virgem de espírito, de alma e de corpo. Convinha, de fato, que a virgindade saída da castidade produzisse a Luz única e monógena, corporalmente, pela benevolência d’Aquele que A gerou sem corpo – o Ser que não gera, mas que é eternamente gerado, para Quem ser gerado é a única qualidade própria da Sua Pessoa. Oh que maravilhas, e que alianças estão neste menino! Oh Filha da esterilidade, virgindade que engravida, nela se unirão divindade e humanidade, sofrimento e impassibilidade, vida e morte, para que em todas as coisas o menos perfeito seja vencido pelo melhor! E tudo isto para minha salvação, oh Mestre! Amas-me tanto que não realizaste esta salvação nem pelos anjos, nem por nenhuma outra criatura, mas tal como já a minha criação, também a minha regeneração foi Tua obra pessoal. Assim, eu exulto, faço despertar a minha alegria e o meu júbilo, volto à fonte das maravilhas, e embriagado de uma torrente de alegria, toco de novo a cítara do espírito e canto o hino divino da natividade.
Oh Joaquim e Ana, casal castíssimo, «par de rolas» no sentido místico! Observando a lei da natureza, a castidade, merecestes os dons que ultrapassam a natureza: gerastes no mundo uma Mãe de Deus sem esposo. Depois de uma existência santa e piedosa numa natureza humana, gerastes uma filha superior aos anjos e que agora reina sobre eles. Oh Filha graciosíssima e dulcíssima, oh lírio nascido entre os espinhos, da descendência nobilíssima e real de David! Por ti a realeza encheu-se com o sacerdócio; por ti foi cumprida «a mudança da Lei», e revelado o espírito escondido sob a letra, pois que a dignidade sacerdotal passou da tribo de Levi à de David. Oh Rosa nascida dos espinhos do judaísmo, que enche o universo de um perfume divino! Oh filha de Adão e Mãe de Deus! Ditosos os rins e o seio de onde surgistes! Ditosos os braços que te levaram, os lábios que experimentaram os teus castos beijos, os lábios de teus pais, para que em tudo tu fosses eternamente virgem. Hoje é para o mundo o início da salvação. «Aclamai o Senhor, terra inteira, cantai, exultai, tocai instrumentos». Elevai a vossa voz, «fazei-a escutar sem temor», porque na Santa Probática nos nasceu uma Mãe de Deus, de quem quis nascer o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.
Tremei de alegria, oh montanhas, naturezas racionais, voltadas para o cume da contemplação espiritual: a montanha do Senhor, refulgente, vem ao mundo, ultrapassando todas as montanhas e todas as colinas, isto é, os anjos e os homens; dela, sem intervenção da mão do homem, Cristo quis desprender-Se, Ele que é a Pedra Angular, Pessoa Una, que aproxima em Si aquilo que está distante: a divindade e a humanidade, os anjos e os homens, os gentios e o Israel carnal num só Israel espiritual. «Montanha de Deus, montanha de abundância, montanha que Deus escolheu para Seu repouso. Os carros de Deus vêm aos milhares, com seres refulgentes» da graça divina, querubins e serafins.
Oh cume mais santo que o Sinai, não coberto nem por fumo, nem por trevas, nem por tempestades, nem sequer por fogo perecível, mas pelo esplendor que ilumina do Santíssimo Espírito. No Sinai, o Verbo de Deus tinha gravado a Lei sobre tábuas de pedra, pelo Espírito, dedo divino; aqui, pela ação do Espírito Santo e pelo sangue de Maria, o próprio Verbo encarnou, dando-se à nossa natureza como um remédio de salvação mais eficaz. Antes, era o maná; aqui, está Aquele que deu o maná e a sua doçura.
Que a morada célebre que Moisés construiu no deserto com matérias preciosas de todo o tipo, e ainda antes dela a morada do nosso pai Abraão, se apaguem diante da morada de Deus, viva e espiritual. Ela foi o repouso, não só da energia divina, mas da Pessoa do Filho, que é Deus, presente substancialmente. Que a arca recoberta de ouro reconheça que não tem nada de comparável com Maria, e da mesma forma a urna de ouro com o maná, o candelabro, a mesa e todos os objetos do culto antigo: eles foram honrados porque todos a prefiguravam, como sombras do verdadeiro protótipo.
Oh filha toda santa de Joaquim e de Ana, que escapaste aos olhares dos Principados e das Potestades e aos «assédios inflamados do maligno», e que viveste no tálamo do Espírito, para seres guardada intacta e te tornares esposa de Deus e Mãe de Deus por natureza! Oh filha toda santa, que apareceste nos braços de tua mãe, tu és o terror das potências de rebelião! Oh filha toda santa, alimentada do leite maternal, e rodeada das legiões angélicas! Oh filha amada de Deus, honra de teus pais, gerações de gerações te proclamam bem aventurada, como tu própria o afirmaste com verdade!
Oh filha sempre Virgem, que pode conceber sem intervenção humana, porque Aquele que concebeste tem um Pai Eterno! Oh filha da raça terrena, que levas em teus braços divinamente maternais o Criador! Os séculos rivalizavam entre si para saber qual deles se honraria de te ver nascer, mas o desígnio fixado antecipadamente de Deus, «que fez os séculos» colocou fim a essa rivalidade, e os últimos tornaram-se os primeiros, eles a quem foi atribuída a felicidade da tua Natividade. Na verdade, tu és mais preciosa que toda a criação, pois só de ti o Criador recebeu em partilha as primícias da nossa matéria humana. A Sua Carne foi feita da tua carne, o Seu Sangue do teu sangue; Deus alimentou-Se do teu leite, e os teus lábios tocaram os lábios de Deus. Oh maravilhas incompreensíveis e inefáveis! Na presciência da tua dignidade, amou-te o Deus do universo; porque te amou, predestinou-te, e nos «últimos tempos», chamou-te à existência, e constituiu-te Mãe para gerar um Deus e alimentar o Seu próprio Filho e Verbo.
(...)É neste seio que o Ser ilimitado veio habitar; do seu leite se alimentou Deus, o Menino Jesus. Oh porta de Deus, sempre virginal! Eis as mãos que suportam Deus, e esses joelhos que são um trono mais elevado que os querubins: por eles «as mãos fracas e os joelhos trêmulos» foram fortalecidos. Os seus pés são guiados pela lei de Deus como por uma lâmpada que brilha, e correm após Ele sem se voltarem, até que tenham feito chegar aquela que ama junto do Bem-Amado. Em todo o seu ser ela é o tálamo do Espírito, a Cidade de Deus Vivo, que «alegra os canais do rio», isto é, as correntes dos carismas do Espírito: «Toda bela, toda próxima de Deus». Dominando os querubins, mais alta que os serafins, próxima de Deus: é a ela que esta palavra se aplica!
Oh maravilha que ultrapassa todas as maravilhas: uma mulher é colocada mais alto que os serafins, porque Deus surgiu abaixado «um pouco inferior aos anjos»! Que o sapientíssimo Salomão se cale, e não torne a dizer: «Nada de novo debaixo do sol». Oh Virgem cheia da graça divina, templo santo de Deus, que o Salomão espiritual, o Príncipe da Paz, construiu e habita, o ouro e as pedrarias não te dão mais beleza, mas mais que o ouro, é o Espírito que te dá o teu esplendor. Por pedrarias, tens a pérola preciosíssima, Cristo, a Brasa da divindade. Suplica-Lhe que toque os nossos lábios, para que, purificados, Lhe cantemos, com o Pai e o Espírito, a natureza única da Divindade em três Pessoas: «Santo, Santo, Santo, Senhor Deus dos Exércitos».
Eu te saúdo, Maria, filha dulcíssima de Ana. De novo para ti o amor me impele. Como descrever o teu caminhar cheio de seriedade, os teus vestidos, a graça de teu rosto, a maturidade do discernimento num corpo juvenil? A tua forma de estar foi modesta, distante de todo o luxo e de toda a indolência; o teu caminhar era grave, sem precipitação, sem preguiça; o teu caráter era sério, temperado de júbilo, de uma perfeita reserva a propósito dos homens – disto é testemunho a inquietação que te surgiu aquando da proposta inesperada do anjo. A teus pais dócil e obediente, tinhas humildes sentimentos nas mais altas contemplações, palavra amável, provinda de uma alma pacífica. Em resumo: que outra digna morada senão tu para Deus? Com razão todas as gerações te proclamam bem-aventurada, oh glória insigne da humanidade! Tu és a honra do sacerdócio, a esperança dos cristãos, a planta fecunda da virgindade, porque é através de ti que o renome da virgindade se estendeu aos confins do mundo. «Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o Fruto do teu ventre». Aqueles que confessam a tua maternidade divina são benditos, e malditos aqueles que a negam.
Oh filha de Joaquim e de Ana, oh Soberana, acolhe a palavra deste teu servo pecador, mas inflamada pelo amor, e para quem tu és a única esperança de alegria, a protetora da vida e, junto de teu Filho, a reconciliadora e firme garantia da salvação. Possa tu aliviar-me do fardo dos meus pecados, dissipar a névoa que obscurece o meu espírito e o peso que me agarra à matéria. Possas tu deter as tentações, governar felizmente a minha vida e conduzir-me pela mão até à felicidade do Alto.
«Salve, oh cheia de graça, o Senhor está contigo! Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto de teu ventre», Jesus Cristo, o Filho de Deus. A Ele a Glória, com o Pai e o Espírito Santo, pelos séculos dos séculos. Amém.
S. João Damasceno, Antologia, Homilia Sobre a Natividade de Maria
Para quem ainda duvida da natureza deste evento e teima em dizer que as oposições que certos católicos fazemos a estas iniciativas são cisma nossa, veja o post do Jorge Ferraz que presenciou o evento apoiado pela CNBB e registrou várias imagens que falam por si.
Depois de ter presenciado algo do “Grito dos Excluídos”, evento que sempre nos prova a infinita paciência divina, creio ser conveniente transcrever algo a respeito do pano de fundo que motiva estas manifestações sociais supostamente católicas. Abaixo, um texto muito esclarecedor do grande Pe. Leonel Franca, uma verdadeira sumidade na Filosofia do nosso país e grande defensor da Fé Católica.
**
Da sistematização marxista não há só uma peça que tenha resistido vitoriosamente à análise científica. As suas principais doutrinas – postulados filosóficos e teorias econômico-sociais – estão hoje cientificamente superadas. Não suportaram o exame da crítica e o confronto dos fatos. Sobrevivem, porém, popularmente, com uma força de expansão formidanda. O partido comunista que se encarna, por uma conjunção acidental de circunstâncias favoráveis, empolgou o poder na grande e misteriosa e enigmática Rússia. Mobilizou os seus inesgotáveis recursos econômicos, galvanizou o messianismo secular do seu povo e pôs este imenso poder a serviço da mais hábil, mais tenaz e mais tecnicamente organizada das propagandas imperialistas. Destarte, o que há 30 anos, como doutrina era um sistema historicamente classificado, como força política era uma inexistência ou uma insignificância, assumiu, em nossos dias, o vulto da maior ameaça à civilização humana.
O comunismo, de fato, não é apenas um sistema econômico, é uma filosofia integral da vida. Não aspira apenas a reformas da estrutura social, baseadas numa redistribuição mais eqüitativa dos bens materiais, reclama o monopólio incontrastável das almas. Pretende implantar a ditadura do proletariado e a ditadura das consciências. Uma religião às avessas. Seu dogma: o materialismo histórico. Sua ética: nova hierarquia de valores aferidos pelo imperativo condicional da vitória do partido. Seu ideal messiânico que eletriza as massas numa grande esperança escatológica: conquista emancipadora da humanidade. Nunca um totalitarismo estadeou pretensões tão radicais.
Na propaganda deste programa, os postulados metafísicos, que já não se discutem, ficam em planos mais afastados da perspectiva. Concentrando as atenções imediatas, figuram a exploração hábil de ressentimentos históricos das classes sofredoras, as críticas contundentes das injustiças e desumanidades do capitalismo, a pintura risonha da sociedade futura, colorida com um otimismo ingênuo e sereno em contraste com o pessimismo azedo que projeta as suas negruras sobre todo o passado histórico do homem alienado e decaído. Assim se hipnotizam as massas. Assim se cria a mística do comunismo, e se mobilizam as energias religiosas da alma a serviço de uma ideologia atéia. Fé e esperança, dedicação e sacrifício, amor da justiça e da liberdade, todo este patrimônio de riquezas humanas, que só têm valor numa ordem ontológica de realidades espirituais, são exploradas para acelerar a implantação de uma nova concepção da vida que as declara ficções sem conteúdo e abstrações malfazejas.
Eis a grande tragédia do comunismo: a mobilização das melhores energias humanas para a construção de um porvir que será o maior desastre e a decepção total da humanidade.
Este mundo que a revolução marxista prepara para a felicidade do homem será um mundo sem Deus. Um mundo em que se verificará o que Chesterton chamou “anomalia suprema dos tempos anormais, a derradeira negação que, para além de todos os dogmas, fulmina a crença mais necessária à alma: a de que existe uma razão das coisas”. A inteligência já não poderá encontrar respostas às interrogações supremas sem as quais não lhe é possível viver. À vontade, com a negação do Infinito Bem, faltará a mola insubstituível do seu dinamismo metafísico. A consciência, reduzida a reflexo de condições sociais, perderá a sua dignidade de norma racional de ação. Os supremos valores da ordem ideal – a Verdade, o Amor e a Beleza – sem o único fundamento ontológico que lhes assegura realidade e vida, eclipsam-se numa noite sem esperanças. A morte impossível de Deus precipitaria a existência universal na negação eterna do nada. Não podemos prever o caos em que se desconjuntaria uma estrutura social em que fosse possível a extinção de Deus nas consciências humanas.
Ateísmo e materialismo são solidários no sistema de Marx. Este mundo que se pretende elevar sobre tantas ruínas será ainda o mais inumano dos mundos. O problema central em qualquer estruturação da sociedade, o problema da pessoa foi, pelo marxismo, não só preterido, nos aspectos que lhe são próprios, mas de todo em todo falseado na natureza dos seus dados fundamentais.
No homem não se viu senão a atividade econômica, característica de sua essência e plasma de sua sociabilidade. Os domínios mais nobres de sua vida individual e social – a cultura, o direito, a moral, a religião – foram anexados ao primado da economia. Onde convinha libertar o homem da hegemonia crescente e humilhante das forças de produção, consumou-se, como definitiva e ideal, a sua ditadura incontrastável. O homem já não deve dominar e disciplinar as relações econômicas para dirigi-las aos fins superiores da realização plena de sua personalidade, curva resignado o colo à tirania do seu jugo. A escravização ao econômico em vez de emancipação do econômico consuma a alienação irreparável e desumanizante.
Com esta inversão de valores desnatura-se e avilta-se a dignidade do trabalho. O esforço humano já não tem outra razão de ser senão aperfeiçoar a matéria e criar utilidades. O trabalho é isto, mas não é só isto. O que o constitui uma atividade especificamente humana, é, antes de tudo, ser uma obra viva interior das almas [que] sobrelevam em qualidade as riquezas materiais que multiplica. Trabalhando, o homem desenvolve harmoniosamente as suas mais nobres faculdades, colabora com a realização dos planos divinos da criação e procura transfigurar este mundo, de que foi constituído senhor, numa habitação em que possa desenvolver as suas energias e realizar a nobreza de seus destinos.
No horizonte das esperanças humanas o comunismo acena com felicidades sonhadas de um paraíso perdido. Mas são estreitos estes horizontes e falazes estas promessas. No indefinido em que se perde o olhar perscrutador do futuro, não se distingue senão riqueza e mais riqueza, conforto e mais conforto. Uma cúpula de chumbo, imensa e pesada, cinzenta e fria, não permite que se elevem as vistas acima dos bens materiais. O surto para o infinito, que constitui a essência mesma da personalidade, estará para sempre condenado a cair sobre si mesmo, no tantalismo de um desespero mortal. O homem transformar-se-á num animal de vista baixa: a terra estreitará para sempre o horizonte de suas perspectivas: o vôo de suas aspirações como o termo de suas atividades. Quando o trabalho se degrada à simples força criadora de valores econômicos, o homem, preso à matéria, verá alienado o melhor e mais nobre de sua natureza.
E esta alienação vai ainda mais longe. Quando se desconhece a dignidade do espírito, o homem já não tem um destino próprio, essência da personalidade. Decai à categoria de coisa ou do instrumento a serviço da sociedade. Na fórmula de Marx, o ser humano “na realidade, é o conjunto das relações sociais”. Os vínculos que, num dado momento histórico, o ligam ao meio, definem-lhe a natureza e esgotam-lhe a razão de ser. Já não há em cada homem uma vocação original que importa respeitar, uma fonte de direitos que não podem ser postergados, uma autonomia de atividades realizadoras de uma finalidade moral, indeclinável. Cerceiam-se assim, pela raiz, todas as liberdades humanas. O indivíduo é sacrificado à comunidade, o cidadão ao Estado, que lhe impõe o mais absoluto conformismo de idéias, de vontades e de sentimentos. Compreende-se que Marx ridiculariza: “o inevitável estado-maior das liberdades de 1848: liberdade pessoal, liberdade de imprensa, de palavra, de associação, de reunião, de ensino, de cultos, etc.” Compreende-se que seja imolada a geração presente à felicidade quimérica do futuro. O homem, totalmente alienado de sua excelência natural, não passa de joguete sem dignidade nas mãos dos que encarnam a falsidade de uma ideologia na tirania de uma ditadura.
A grande tarefa da hora presente é dissociar do marxismo a obra imensa da elevação das classes operárias à participação mais eqüitativa em todas as riquezas da cultura. Ele não é nem pode ser o agente das transformações sociais por que suspiramos.
A tentativa comunista, se realizada, comprometeria a civilização e mergulharia o homem, para sempre transviado dos seus destinos, na desgraça de uma catástrofe irreparável.
Não é possível combater a Deus sem ferir o homem de morte.
É com grande felicidade que comunico a entrada de mais um membro no Grupo de Resgate Anjos de Adoração - GRAA. Trata-se da senhorita Priscila Morais a quem, com grande alegria, recebemos neste bom combate da Fé, nesta busca pela aventura da Santidade e defesa da Santa Igreja.
Priscila, seja muito bem vinda...
Que Jesus Eucarístico, a partir de então, seja a tua alegria.
Não tive tempo ainda de olhar direito este vídeo. Mas posto assim antecipadamente porque ainda estamos correndo com o tempo. Por favor, ajudem a salvar o rapaz. As assinaturas praticamente pararam... Quem não assinou, assine; quem já assinou, contribua divulgando. Lembrem do valor infinito de uma alma humana. Assinem aqui. Pax.
Ps.: Quem não lê em inglês, pode assinar do mesmo jeito.
“Entre as coisas necessárias para a celebração da missa, honram-se especialmente os vasos sagrados e, entre eles, o cálice e a patena, onde se oferecem, consagram e consomem o vinho e o pão” (IGMR, 327)
“Sem dúvida, requer-se estritamente que este material, de acordo com a comum valorização de cada região, seja verdadeiramente nobre, de maneira que, com seu uso, tribute-se honra ao Senhor e se evite absolutamente o perigo de enfraquecer, aos olhos dos fiéis, a doutrina da presença real de Cristo nas espécies eucarísticas. Portanto, reprove-se qualquer uso, para a celebração da Missa, de vasos comuns ou de escasso valor, no que se refere à qualidade, ou carentes de todo valor artístico, ou simples recipientes, ou outros vasos de cristal, argila, porcelana e outros materiais que se quebram facilmente. Isto vale também para os metais e outros materiais, que se corroem (oxidam) facilmente” (Congregação para o Culto Divino e a Disciplina Dos Sacramentos – Instrução Redemptionis Sacramentum, 117)
"Morrer com Cristo na cruz para com ele ressurgir é uma verdade que se verifica - para cada fiel e, principalmente, para cada sacerdote - na realidade do santo sacrifício da Missa. De acordo com a Fé, o sacrifício da Missa é a renovação do sacrifício da cruz. Quem o celebra ou dele participa com fé viva alcançará os mesmos efeitos que se produziram no Calvário."
Quero repetir-vos uma postagem já presente neste blog. Faço-o em virtude de considerar que, nestes dias que seguem, ela é particularmente adequada. Trata sobre a seriedade dos destratos com a Sagrada Eucaristia e com as profanações na Santa Missa. Diz como Jesus sofre com tudo isso... Mostra, enfim, em que se fundamenta a seriedade da Santa Igreja com a retidão e com o zelo na Liturgia...
**
Lamentos de Jesus revelados a S. Pio de Pietrelcina escritos por este último ao seu diretor.
Ouça, caro padre, os justos lamentos de nosso dulcíssimo Jesus: “deixam-me sozinho de noite, sozinho de dia nas igrejas. Não cuidam mais do sacramento do altar; nunca se fala desse sacramento de amor; e, mesmo os que falam, infelizmente, com que indiferença, com que frieza!
O meu coração, diz Jesus, está esquecido. Já ninguém se preocupa com o meu amor. Estou sempre triste. Minha casa tornou-se, para muitos, um teatro de divertimentos; mesmo os meus ministros, que sempre considerei com predileção, que amei como a pupila dos meus olhos, deveriam consolar o meu Coração cheio de amargura, deveriam ajudar-me na redenção das almas. Em vez disso, quem o acreditaria?, devo receber deles ingratidão e falta de reconhecimento. Vejo, meu filho, muitos desses que... (aí se calou, os soluços lhe apertaram a garganta, chorou em segredo), sob aparências hipócritas, me traem com comunhões sacrílegas, esmagando as luzes e as forças que continuamente lhes dou...”. Jesus continuou ainda a lamentar-se. Padre, como me faz mal ver Jesus chorar! Também o senhor passou por isso?
Sexta-feira de manhã (28-03-1913) eu ainda estava na cama quando me apareceu Jesus, totalmente maltratado e desfigurado. Mostrou-me um grande número de sacerdotes regulares e seculares, entre os quais diversos dignitários eclesiásticos; desdes, alguns estavam celebrando, outros se paramentando e outros retirando as sagradas vestes.
Ver Jesus angustiado causava-me grande sofrimento, por isso quis perguntar-lhe por que sofria tanto. Não obtive resposta. Porém, o seu olhar voltou-se para aqueles sacerdotes. Mas pouco depois, quase horrorizado e como se estivesse cansado de observar, desviou o olhar e, quando o ergueu para mim, com grande temor verifiquei que duas lágrimas lhe sulcavam as faces. Afastou-se daquela turba de sacerdotes, tendo no rosto uma expressão de profundo pesar, gritando: Carniceiros!
E voltado para mim disse: “Meu filho, não creias que a minha agonia tenha sido de três horas, não. Por causa das almas por mim mais beneficiadas, estarei em agonia até o fim do mundo. Durante o tempo da minha agonia, meu filho, não convém dormir. Minha alma vai à procura de algumas gotas de piedade humana; mas ai de mim! Deixam-me sozinho sob o peso da indiferença. A ingratidão e os meus ministros supremos tornam opressiva minha agonia.
Ai de mim! Como correspondem mal ao meu amor! O que mais me aflige é que, à sua indiferença, esses homens acrescentam o desprezo, a incredulidade. Quantas vezes eu estive a ponto de fulminá-los, se não tivesse sido detido pelos anjos e pelas almas enamoradas de mim... Escreve ao teu padre narrando o que viste e ouviste de mim esta manhã. Diz a ele que mostre a tua carta ao padre provincial...”
Jesus ainda continuou, mas o que disse não poderei revelar a criatura alguma deste mundo. Essa aparição me causou tal dor no corpo, porém ainda mais na alma, que durante o dia todo fiquei prostrado e acreditaria estar morrendo, se o dulcíssimo Jesus já não me tivesse revelado... Jesus tem razão de se queixar de nossa ingratidão!
Padre Pio, Palavras de Luz, Florilégio do Epistolário
Relendo, ontem, um texto do prof. Drago Romano, entitulado "A Gnose e a morte de Deus", disponibilizado pelo site Permanência, encontrei a transcrição da fala de um pastor protestante, de nome Harvey Cox que, adotando uma leitura hegeliana da religião, escreveu certas coisas que representam bem o pano de fundo ideológico de muito do que vemos, hoje, entre os "católicos de esquerda". Reproduzo abaixo as linhas do Ph.D em História e Filosofia da Religião, de Harvard, com breves complementações do prof. Drago entre colchetes.
**
"A noção de outro mundo (otherworldiness) conta a existência de um outro mundo mais elevado, mais santo ou mais sagrado do que o mundo secular em que vivemos. Esta suposição tem muito pouco em comum com a fé hebraica, excetuando algumas passagens apocalípticas. As escrituras dos judeus ensinam que este mundo é o único criado por Deus, que o ama e o conduz ao aperfeiçoamento. A idéia de dois mundos, sendo um secular com inferior "status", tem raízes não em fontes bíblicas, mas principalmente na Pérsia e nas filosofias helênicas que formaram a atmosfera cultural da bacia do Mediterrâneo nos primeiros séculos de vida da Igreja. (...) Nosso emergente consenso ecumênico da fé é que este mundo é o mundo que Deus está renovando e redimindo, que nossa história é a história na qual Deus age, e que o triunfo final de Deus previsto pela Bíblia será a realização daplenitude deste mundo e não do outro".
(...) O triunfalismo foi posto de lado. Agora os cristãos vêem-se mais e mais como "Povo de Deus", chamados para servir este mundo e não como uma privilegiada colônia destinada à salvação no outro mundo. (...) Secularizaçaõ (...) pretendo que signifique: perda de interesse por outros mundos, com a resultante intensificação de interesse por este mundo, e a nova emergente função da Igreja, mais como minoria e serva [deste mundo, é claro] do que maioria e senhora. (...) Uma nova teologia para uma sociedade secularizada só se produzirá quando a Igreja aceitar a eliminação de seu "status" temporal e livrar-se de todo o saudosismo de um róseo passado.
Secularização significa que o mundo onde se processa a história humana agora fornece o horizonte no qual o homem compreende sua vida.
Nossa tarefa não é nem de perpetuar essa síntese [quer ele dizer a aliança entre a revelação e a filosofia grega] nem de dispensá-la. Preferível é forjar uma nova expressão de fé bíblica dentro das categorias culturais de hoje.
Se Deus ainda é vivo e ativo, o lógico é procurar discernir sua atividade na nossa história atual (...) Uma Igreja que não se identifica com o mundo, com a mesma intensa solidariedade que Deus tem por ele, trai sua missão (...) nossas várias doutrinas herdadas surgiram do esforço da Igreja para falar em diferentes idades do mundo (...) Podemos ver que o significado de qualquer trecho de doutrina não é fixado nem fechado. (...) Se Deus age no mundo dos eventos seculares e se a responsabilidade do seu povo é discernir sua ação, isto requer uma teologia secular.
Os cristãos podem reunir-se para se consultarem uns aos outros acerca do que agora está fazendo Deus no mundo secular, participando, assim, alegremente na missão secular de Deus.
Nossa tarefa de teólogos não é podar ou preservar a fé, mas interpretá-la e reinterpretá-la para sucessivas épocas do homem.
Uma interpretação secular do Evangelho deve ser ética (...) e em nosso mundo isto significa que deva ser política."
E está chegando o famoso Dia dos Excluídos, dia em que a Liturgia Católica é excluída de várias igrejas.
E parece que as coisas já estão animadas. Já andaram esperneando por aí e falando de uma tal "pedagogia de Jesus"..rs.. Mas, pelo que eu sei, a pedagogia de Jesus era bem outra... rs (cf Jo 2,15).
Uma dúvida: é comum que o pessoal das seitas africanas transite livremente pelos templos católicos neste dia. Por que, então, não chamam um bom padre exorcista para também dar a sua colaboração num ritual do candomblé?
Mais: quem é o incoerente nesta história?A nossa transigência é mesmo uma coisa pra se orgulhar?
Houve tempo em que os católicos eram respeitados por serem mais inteligentes.
Católicos tradicionais, animem-se! Afinal, é o nosso dia...
Desde o Renascimento até ao século XIX, os modernos tiveram um amor quase monstruoso aos antigos. Ao considerarem a vida medieval, não podiam considerar os cristãos senão como discípulos dos pagãos: de Platão, nas idéias; de Aristóteles, na razão e na ciência. Não era assim. Em certos aspectos, até do ângulo mais monotonamente moderno, o catolicismo estava muitos séculos adiantado tanto ao platonismo como ao aristotelismo.
Podemos observá-lo ainda, por exemplo, na impertinente tenacidade da Astrologia. Neste assunto, os filósofos estavam todos do lado da superstição, enquanto oso santos e todas as pessoas semelhantemente supersticiosas eram contra a superstição. Mas até os grandes santos tiveram dificuldade em se desvencilhar dela. Sempre fizeram duas objeções os que suspeitavam do aristotelismo de Tomás de Aquino; consideradas em conjunto, parecem-nos hoje muitíssimo estranhas e cômicas. Uma era a opinião de que as estrelas são seres pessoais que nos governam a vida; a outra, a grande teoria genérica de que os homens têm uma inteligência coletiva, opinião evidentemente oposta à individualidade do espírito humano imortal. Ora, ambas essas teorias têm curso entre os modernos, tão forte é ainda a tirania dos antigos. A astrologia espalha-se pelos jornais de domingo, e a outra doutrina revestiu a sua centésima forma naquilo a que se chama comunismo, ou espírito da colmeia.