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Batismo por Imersão ou Infusão?

Batismo por Imersão realizado na Igreja Católica Apostólica Romana

Uma das polêmicas frequentes entre católicos e protestantes e que geralmente é levantada por estes últimos é esta: "por que os católicos batizam sem ser por imersão, sendo que Jesus foi claramente batizado deste modo por João Batista que, na ocasião, o submergiu nas águas de modo que molhasse até a ponta dos cabelos?" É uma pergunta interessante e que, à primeira vista, parece mostrar que os protestantes teriam razão enquanto que os católicos, mais uma vez, haveriam se rendido a "tradições de homens", das quais a Escritura pede que nos guardemos. Se a pergunta foi posta de modo sincero, convém que seja respondida do mesmo modo. Vamos, então, à solução do problema.

Primeiramente, esclareçamos que a Igreja Católica não vê problema algum em alguém ser batizado por imersão. Inclusive, este é um dos modos possíveis de se batizar um católico. Com efeito, diz o Código de Direito Canônico: "O batismo seja conferido por imersão ou por infusão, observando-se as prescrições da Conferência dos Bispos". (Cân. 854) E se aí é pedido então o parecer da CNBB, ei-lo: "Entre nós continua a praxe de batizar por infusão; no entanto, permite-se o batismo por imersão, onde houver condições adequadas, a critério do Bispo Diocesano".

Para que compreendamos esta duplicidade de modos na efetivação do Batismo é fundamental termos em mente que o que determina a ação do Espírito Santo no ato de batizar não é a quantidade de água. Esta, é verdade, é condição sine qua non para o batismo. Contudo, a sua quantidade ou se se dá por imersão ou não, não é o fator determinante. Veremos por quê.

Antes, porém, abordemos esta comparação que em geral se faz entre o batismo efetuado por João Batista e o batismo que Nosso Senhor ordenou à Igreja praticar. É o próprio João que o reconhece: "Eu vos batizei com água, mas Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo." (cf. Mt 13,11-12) O batismo de João era chamado de "batismo de arrependimento" (cf. Mc 1,4). A pessoa que ia a ele, movida pelas suas graves palavras, demonstrava estar arrependida de seus pecados e decidida a começar um novo gênero de vida. Tinha este batismo um caráter sobretudo simbólico. E se ele se aproxima de algum Sacramento, isso se dá muito mais com relação ao Sacramento da Confissão do que ao Batismo operado pela Igreja. O próprio Jesus, por Sua vez, diz a Nicodemos: "Se não nasceres de novo da água e do Espírito, não herdareis o Reino dos Céus." (Jo 3,5) O Batismo de João não provocava esse novo nascimento, uma vez que Jesus chega a dizer que, mesmo João sendo o maior dentre os nascidos de mulher, ele é menor do que o menor no Reino dos Céus. Era preciso, portanto, um batismo de outra ordem. E aqui Nosso Senhor já nos dá alguns detalhes: o Batismo deve ter água e o Espírito Santo e, ao mesmo tempo, é ele - o batismo - que dá acesso ao Reino dos Céus. Então: 1- um não batizado não entra no céu; 2- o batismo associa um elemento material - a água - a um espiritual - o Espírito Santo. Esse duplo aspecto será importante para que entendamos bem a natureza e a importância do batismo, inclusive de crianças. Sigamos.

Vimos, então, que não há muito sentido em identificar o batismo de João com o batismo ordenado por Jesus, uma vez que ambos - João e Jesus - reconhecem a diferença fundamental entre um e o outro.

Contudo, mesmo assim, era comum, no cristianismo nascente, que pessoas fossem batizadas por imersão e, como vimos, a Igreja nunca considerou isso um problema.

O batismo mergulhado tem um significado também muito bonito. Antes de tempos cristãos ou mesmo fora do judaísmo, era comum o ato do sacrifício expiatório. Era o caso em que uma pessoa dava a vida pelo bem de uma comunidade inteira. Hoje sabemos que todos estes sacrifícios não eram senão prelúdio do Único Sacrifício agradável a Deus que foi o de Nosso Senhor Jesus Cristo no madeiro da Cruz. Nestes sacrifícios antigos, por vezes a pessoa era morta por afogamento. Daí a expressão paulina: "fomos sepultados nas águas". (Rm 6,4). Depois de um tempo, como que por uma intuição progressiva que parecia preparar uma idéia, ainda que obscura, da ressurreição, aquele que ofertava sua vida em sacrifício era visto como alguém digno de, em função da sua entrega, retomar a vida. Esta retomada significava a assunção da vida num outro nível, uma vez que aquele sujeito havia sido, agora, revestido de uma glória particular por ter entregue a vida pelos seus. Deste modo, o rito do batismo ficou sendo só simbolicamente sacrificiatório. Isto significa que este sacramento representa um certo tipo de morte. No contexto cristão, será a morte do homem manchado pelo Pecado Original a quem era vedado o convívio divino e denotará a entronização do batizado, em função dos méritos da Paixão de Cristo, dentro da própria intimidade divina, isto é, no seio da Igreja, corpo místico de Cristo e cidade dos cristãos.

Para os cristãos, portanto, essa simbologia não só permanecerá como será enriquecida, e ela parece ser melhor intuída, mesmo, no ato do batismo por imersão. Há sinais sensíveis maiores neste tipo de batismo, do que no por infusão, de que ele faz o sujeito morrer para, logo em seguida, renascer.

Porém, é verdade que também é costume, desde o início do cristianismo, que seja aceito o batismo por infusão, isto é, pelo derramamento sucessivo de pequenas quantidades de água sobre o batizado. Vejamos o que diz a Didaqué, documento escrito diretamente pelos próprios Apóstolos - há consenso histórico com relação a isso - e conhecido como o primeiro catecismo cristão:

"Na falta de uma (água corrente) ou outra (água parada) [para imersão], derrame três vezes água sobre a cabeça, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" (Did. VII, 3).

Percebe-se então que o batismo poderia ser feito também desse outro modo. Ora, se ele pode ser feito de outro modo, significa que o fato de ser ou não por imersão não é absolutamente necessário ou constitutivo do Batismo. Contudo, protestante tem medo de ir às fontes históricas e parece supor que todos estes escritos ou são manipulações da Igreja que, inclusive, teria comprado todos os historiadores sobre o assunto, ou então seriam obra direta do próprio demônio. Vamos, então, à Escritura que, embora seja um livro católico, por algum mistério da meia noite eles não o percebem como tal. Vamos a ela:

Estamos no evento de Pentecostes. O Espírito Santo já havia vindo. Em seguida, Pedro inicia uma pregação - outra coisa que os protestantes não enxergam é a total primazia de Pedro sobre os demais apóstolos. Aqui o Espírito Santo, depois de inspirá-los, faz com que Pedro tome a palavra, confirmando esta sua primazia. Isto se dá em Jerusalém:

"E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo; porque a promessa vos diz respeito a vós, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar. E com muitas outras palavras isto testificava, e os exortava, dizendo: salvai-vos desta geração perversa. De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas, e perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações." (At 2,38-42).

Este trecho é tão católico que me deu vontade de comungar. Ok, mas onde está a suposta evidência do batismo sem ser por imersão? É simples: em Jerusalém não havia rios.. Isso mesmo. Por algumas modestas pesquisas que fiz aqui, o Rio Jordão não era exatamente em Jerusalém. Para ir lá, era preciso primeiro ir a Jericó, cerca de 35 km de distância e, em seguida, ir ao Jordão, o que levava mais 8 km. Penso ser possível perceber a inconveniência da idéia. Isso de que na cidade de Jerusalém não havia rio, eu vi em duas fontes. Contudo, realmente não sou bom em geografia.. Vamos, portanto, a um outro trecho:

"Subitamente, sentiu-se um terremoto tão grande que se abalaram até os fundamentos do cárcere. Abriram-se logo todas as portas e soltaram-se as algemas de todos. Acordou o carcereiro e, vendo abertas as portas do cárcere, supôs que os presos haviam fugido. Tirou da espada e queria matar-se. Mas Paulo bradou em alta voz: Não te faças nenhum mal, pois estamos todos aqui. Então o carcereiro pediu luz, entrou e lançou-se trêmulo aos pés de Paulo e Silas. Depois os conduziu para fora e perguntou-lhes: Senhores, que devo fazer para me salvar? Disseram-lhe: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua família. Anunciaram-lhe a palavra de Deus, a ele e a todos os que estavam em sua casa. Então, naquela mesma hora da noite, ele cuidou deles e lavou-lhes as chagas. Imediatamente foi batizado, ele e toda a sua família." (At 16,26-33)

Como se vê, Paulo não os leva a nenhum rio onde o carcereiro pudesse ser submergido. A Bíblia diz que ele foi batizado, junto com toda a sua família, ali mesmo, naquela hora, "imediatamente". 

Vários outros casos podem ser intuídos. Os Apóstolos não se restringiam a batizar em lugares em que houvesse água. Iam até os confins do mundo, como lhes havia ordenado o Cristo. E conforme iam conquistando neófitos, batizavam toda a casa, o que não estava condicionado, é óbvio, à proximidade de rios ou a existência de piscinas ou banheiras, e incluía, além disso, o batismo de crianças. Uma vez dito isto, passemos à explicação do que é o batismo, propriamente.

O batismo nos comunica o Espírito Santo, que é o espírito de filiação e nos associa a Jesus Cristo, nos tornando filhos de Deus por adoção. Uma vez que alguém é batizado, o Espírito Santo destrói na pessoa o Pecado Original, comunicado por herança, e gera dentro da alma a Graça Santificante. É esta Graça que devolve ao ser humano a Semelhança com Deus que ele havia perdido em Adão.

Sem esta Graça, ninguém pode salvar-se, ainda que sejam crianças. Daí a necessidade de se batizar infantes, para que, desde cedo, a Graça lhes inspire interiormente e lhes garanta, no caso de que venham a morrer de algum modo, a herança do Reino dos Céus.

No Sacramento, nós temos um sinal visível - a água - e uma graça invisível - o Espírito Santo. Recebemos, junto com o sinal visível, a Graça invisível. O primeiro é canal para o segundo. O segundo é a razão de ser do primeiro. É suficiente ter contato com o primeiro para que, através do uso da fórmula trinitária - em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo - o Paráclito batize uma pessoa. Não há precondições de que deva ser ou não por imersão. Esta precondição nunca existiu e seria mesmo meio absurdo pensar que Deus se restringiria a isto.

Além da imersão e da infusão, havia um terceiro modo de batismo, que era o por aspersão e que consistia no atiçar de ramos ou de outro material que pudesse "jogar" água sobre o ingressante na vida cristã. Este uso foi praticamente abandonado porque às vezes era difícil certificar-se de que a água teria, de fato, tocado a pessoa. Ficam, então, os dois usos válidos: imersão e infusão.

Este é o costume cristão desde os primeiros séculos e continua sendo hoje, o que só testemunha a unidade da Igreja através do tempo. Quem se der ao trabalho de estudar os primeiros cristãos verá como a Igreja sempre foi a mesma. Alguns pastores e fiéis protestantes têm se atribuído o dever de estudar essas coisas para atacar com mais fundamento à Igreja Católica. Muitos deles, tão logo se abeiram de tais escritos, iniciam um real processo de conversão que culmina, logo em seguida, na volta ao catolicismo e na tentativa de recuperar o tempo perdido. Fica, pois, o nosso desafio a qualquer pessoa de boa vontade. Teste sua sinceridade e examine essas coisas com calma. No entanto, se não o quiser e achar mais confortável ficar como está; se estiver com medo e não quiser complicar a vida, uma coisa poderá ser dita dela: não amou a verdade sobre todas as coisas. E a verdade é uma pessoa: Jesus Cristo.

Fábio.
E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo;
Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar.
E com muitas outras palavras isto testificava, e os exortava, dizendo: Salvai-vos desta geração perversa.
De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas,
E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações.

Atos 2:38-42
E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo;
Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar.
E com muitas outras palavras isto testificava, e os exortava, dizendo: Salvai-vos desta geração perversa.
De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas,
E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações.

Atos 2:38-42
E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo;
Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar.
E com muitas outras palavras isto testificava, e os exortava, dizendo: Salvai-vos desta geração perversa.
De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas,
E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações.

Atos 2:38-42
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Um comentário:

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