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Decretum Contra Communismum

Comunistas fuzilam a imagem do Sagrado Coração



Papa Pio XII Decreto do Santo Ofício de 1949


Q. 1 Utrum licitum sit, partibus communistarum nomen dare vel eisdem favorem praestare.
[Acaso é lícito dar o nome ou prestar favor aos partidos comunistas?]

R. Negative: Communismum enim est materialisticus et antichristianus; communistarum autem duces, etsi verbis quandoque profitentur se religionem non oppugnare, se tamen, sive doctrina sive actione, Deo veraeque religioni et Ecclesia Christi sere infensos esse ostendunt.


Q. 2 Utrum licitum sit edere, propagare vel legere libros, periodica, diaria vel folia, qual doctrine vel actioni communistarum patrocinantur, vel in eis scribere.
[Acaso é lícito publicar, propagar ou ler livros, diários ou folhas que defendam a ação ou a doutrina dos comunistas, ou escrever nelas?]

R. Negative: Prohibentur enim ipso iure


Q. 3 Utrum Christifideles, qui actus, de quibus in n.1 et 2, scienter et libere posuerint, ad sacramenta admitti possint.
[Se os cristãos que realizarem concientemente e livremente, as ações conforme os n°s 1 e 2 podem ser admitidos aos sacramentos?]

R. Negative, secundum ordinaria principia de sacramentis denegandis iis, Qui non sunt dispositi

Q. 4 Utrum Christifideles, Qui communistarum doctrinam materialisticam et anti Christianam profitentur, et in primis, Qui eam defendunt vel propagant, ipso facto, tamquan apostatae a fide catholica, incurrant in excommunicationem speciali modo Sedi Apostolicae reservatam.
[Se os fiéis de Cristo, que declaram abertamente a doutrina materialista e anticristã dos comunistas, e, principalmente, a defendam ou a propagam, "ipso facto" caem em excomunhão ("speciali modo") reservada à Sé Apostólica?]

R. Affirmative

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Comentários


Deste modo todos os católicos que votarem (é uma espécie de prestar favor) ou se filiarem em partidos comunistas, escreverem livros filo-comunistas, ou revistas estão excluídos dos sacramentos.
Os que defenderem, propagarem ou declararem o materialismo dos comunistas também estão excomungados automaticamente.

Esse decreto do Santo Ofício de Pio XII, que foi confirmado por João XXIII em 1959, continua válido. Aliás, Pio XII trabalhou pessoalmente contra o comunismo na Itália.

Tal condenação do comunismo se soma às condenações feitas por Pio IX, Leão XIII, São Pio X, Pio XI, Pio XII (ele também condenou em outras oportunidades), João XXIII, Paulo VI, Concílio Vaticano II (reiterou as condenações precedentes) e João Paulo II.

Faz mais de cem anos que a Igreja Católica condena o comunismo, socialismo e qualquer tipo de materialismo e igualdade material. A pena para os que desobedecem a proibição de ajudar o comunismo (ou suas variantes) sob qualquer aspecto (incluindo a votação nos partidos filo-comunistas) é a excomunhão automática.

"Socialismo religioso, socialismo cristão, são termos contraditórios: ninguém pode ao mesmo tempo ser bom católico e socialista verdadeiro" (Pio XI)

Papa Pio XII - "Decretum Contra Communismum" MONTFORT Associação Culturalhttp://www.montfort.org.br/index.php?secao=documentos&subsecao=decretos&artigo=anticomunismo&lang=bra Online, 25/07/2008 às 21:28h

A Teologia da Cruz em São Paulo


“Pois não foi para batizar que Cristo me enviou, mas para anunciar o evangelho, sem recorrer à sabedoria da linguagem, a fim de que não se torne inútil a cruz de Cristo. Com efeito, a linguagem da cruz é loucura para aquees que se perdem, mas para aqueles que se salvam, para nós, é poder de Deus (...). Os judeus pedem sinais, e os gregos andam em busca de sabedoria; nós, porém, anunciamos Cristo crucificado, que para os judeus é escândalo, para os gentios é loucura, mas para aqueles que são chamados – tanto judeus como gregos – é Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus. Pois o que é loucura de Deus é mais sábio do que os homens, e o que é fraqueza de Deus é mais forte do que os homens”.

A doutrina da cruz é o evangelho de Paulo, a mensagem que ele prega a judeus e pagãos. É um testemunho simples por natureza, destituído de qualquer retórica e que não procura convencer por razões intelectuais. Toda força provém da doutrina em si – a própria cruz de Cristo, ou seja, a morte de Cristo na cruz e o Cristo crucificado. Ele mesmo é o poder e a sabedoria de Deus; não somente o enviado de Deus, Filho de Deus e Deus, ele próprio, mas também o Crucificado. Porque a morte na cruz é meio de redenção, fruto da insondável sabedoria de Deus. Para mostrar que a força e a sabedoria humanas são incapazes de realizar a Redenção, Deus dá o poder redentor àquele que, segundo o critério humano, parece fraco e louco, que não deseja ser nada por si próprio, mas tudo pela força de Deus e que “aniquilou-se a si mesmo... tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz”. Entende-se por força redentora o poder de ressuscitar aqueles que, pelo pecado, morreram para a vida em Deus. A força redentora foi conferida ao Verbo, na cruz, e estende-se a todos os que acolhem o Verbo de coração aberto, sem exigir milagres ou argumentos intelectuais de sabedoria humana. Em tais almas, o Verbo, na cruz, torna-se a força vitalizante e formadora que denominamos ciência da cruz, na qual são Paulo tornou-se mestre:

“De fato, pela Lei eu morri para a Lei, a fim de viver para Deus. Fui crucificado junto com Cristo. Já não sou eu quem vivo, mas é Cristo que vive em mim. Minha vida presente na carne, eu a vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou a si mesmo por mim”.

Nos dias em que tudo ao seu redor fez-se noite e só a alma continuava a viver na claridade da luz, são Paulo, o zeloso observante da Lei, compreendeu que a Lei somente serve de guia e indicador para Cristo. Esta, quando muito, poderia nos preparar para receber a vida; não, porém, comunica-la. Cristo assumiu o jugo da Lei, cumprindo-a fielmente e morrendo por ela e para ela. Assim isentou da Lei todos os que querem receber a vida. Mas essa vida há de ser alcançada em troca do sacrifício da própria vida, porque todos os batizados em Jesus Cristo foram batizados em sua morte. Os que mergulham na vida de Cristo hão de se tornar membros do seu corpo, a fim de com ele sofrer e morrer e, também com ele, ressurgir para a vida eterna em Deus. Esta vida nos será dada em plenitude somente no dia de sua Glória. Mas participamos desde já – “na carne” – desta vida, enquanto cremos: ou seja, crer que Cristo morreu por nós para dar-nos a vida. É esta a fé que nos une a ela como membros à cabeça, e que nos abre para receber sua vida. Assim é, portanto, a fé no Crucificado – a fé viva, com entrega de amor – para nós o acesso à vida e o início da Glória futura.

Desta forma, a cruz é o nosso único título de glória: “Quanto a mim, não aconteça gloriar-me senão na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, por quem o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo”. Quem se decidiu por Cristo morreu para o mundo e este para ele, e traz no seu corpo os estigmas do Senhor Jesus, tornou-se fraco e desprezado pelos homens e, contudo, forte, porque o poder de Deus se manifesta na fraqueza. Assim o discípulo de Cristo não somente aceita a cruz, mas também se crucifica, “pois os que são de Jesus Cristo crucificaram a carne com suas paixões e seus desejos”. Travaram luta feroz contra as inclinações da natureza para que o pecado morresse neles e desse lugar à vida do Espírito. Esta última é o que importa: a cruz não é um fim em si mesma. Ela se ergue e aponta para o alto. Não é somente sinal, é a arma forte de Cristo. É a vara do pastor, com que o Davi divino vai de encontro ao Golias das trevas e com a qual o golpeia, abrindo a porta do céu. E a torrente da luz divina transbordará, envolvendo a todos os que formam o séqüito do Cristo crucificado.

Edith Stein (Santa Teresa Benedita da Cruz), A Ciência da Cruz.

A doutrina da Cruz por São João da Cruz


“Quão estreita é a porta e apertado o caminho que conduz à vida. Poucos são os que o encontram”. Devemos observar bem a ênfase dada à partícula “quão”, pois é como se dissesse “na verdade é muito estreita, mais do que podeis imaginar...” Essa via ao alto monte da perfeição exige viajantes que não levem fardos que os façam pender para baixo... Já que se tem o propósito de somente buscar e alcançar a Deus, somente a ele se há de buscar e alcançar e fato! Instruindo-nos e incitando-nos nesse caminho, Jesus Cristo proferiu essa doutrina tão admirável e, receio dizer, tanto menos praticada pelas almas (que se sentem atraídas à vida espiritual) quanto mais necessária!

“Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois aquele que quiser salvar a sua vida, irá perdê-la;mas o que perder a sua vida por causa de mim e do evangelho, irá salvá-la”.

Oh! Quem poderia aqui agora dar a entender, praticar e saborear este conselho!... aniquilação de toda suavidade em Deus... aridez... tédio... sofrimentos... eis a pura cruz espiritual e a nudez do espírito pobre, segundo Jesus. O verdadeiro espírito antes procura em Deus a amargura que as delícias, prefere o sofrimento ao consolo, a privação ao gozo, a aridez e as aflições às doces comunicações celestes, sabendo que isto é seguir a Cristo e renunciar-se. Agir de outro modo é buscar-se a si mesmo em Deus, o que é muito contrário ao amor. Buscar a Deus nele mesmo... é inclinar-se a escolher, por amor a Cristo, tudo quanto há de mais áspero, seja de Deus, seja do mundo”. A renúncia, segundo a vontade divina, consiste em “morrer para sua natureza... aniquilando-a... em tudo quanto a vontade julga ser valioso na ordem temporal, natural e espiritual... Quem assim tomar a cruz sobre si experimentará o jugo suave e o fardo leve, encontrando em todas as coisas grande alívio e suavidade. ... Quando a alma ficar desfeita em nada – isto é, a suprema humildade – estará realizada a união espiritual entre a alma e Deus... união que consiste numa viva morte de cruz, sensitiva e espiritual, interior e exterior”.

São João da Cruz por Edith Stein (Sta Teresa Benedita da Cruz) em A Ciência da Cruz.

Em favor dos que "rezam demais"

É comum que muitos "cristãos" condenem aqueles que eles julgam estar errados. E, além do fato de que julgar não é um ato conveniente para um cristão, torna-se ainda mais ridículo quando motivado por um achismo, uma suposição muitas vezes herética que inverte o real sentido da Verdade. Há pessoas que, sem saber, movidas por ideais marxistas e pela heresia da moda, a Teologia da Libertação, passam a somente conceber um cristianismo puramente social, desprovido de qualquer mística e puramente externo. Interessante... Alguns são acusados de que rezam demais, mas... ironicamente, Cristo repreende a Marta que queria a ajuda de sua irmã em seus afazeres domésticos. Maria, muito mais aprofundada no mistério, estava aos pés de Jesus, ouvindo-o silenciosamente. Cristo diz, então, a Marta: "Ela escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada". É uma pena ver que muitos invertem os valores e enxugam o catolicismo de sua espiritualidade, assumindo ideais socialistas. "Nem só de pão vive o homem". Interessante ainda que aquilo que mais é essencial (a oração) é tido como perda de tempo. Estes que fazem estas críticas infundadas, baseadas em pouca ou nenhuma orientação doutrinária, catequética, teológica, se assemelham a alguém que somente reconheça a utilidade dos pés, porque mais sensíveis à constatação aparente, e critique o coração, porque ninguém lhe vê, sendo este mais essencial à sobrevivência. Percebemos já, por este exemplo, o quão míopes são estes que colocam o social acima do espiritual; cegos por uma vaidade de pretender saber o que deve ser feito, mais do que o sabe a Santa Igreja, lançam-se em suas errôneas convicções, condenando os que não partilham de suas asneiras e disparates. Ora, façam-me o favor. O aspecto social é sim muito importante, mas não é o foco. Antes, como diz a Santa Igreja, a ação deve submeter-se à contemplação. É daí que ela tira sua eficácia. Alguém que queira mudar o mundo ou a realidade social sem oração, além de demonstrar imensíssima vaidade por querer tornar-se o centro da "revolução", age como alguém que passasse meses inteiros a fio querendo esvaziar o mar. Sua cegueira não lhe deixa ver a própria insignificância, o próprio nada. Esta famosa heresia de hoje age justamente assim, dando de novo ao ser humano uma suposição de onipotência, de querer ser igual a Deus (a estratégia é sempre a mesma; assim foi com Adão) e distrair-lhe de sua miséria.

Mas, estes hereges disfarçados de católicos existem desde o tempo de Jesus. Vemos, por exemplo, Judas censurando a mulher que derrama perfume caríssimo na cabeça de Cristo. Na visão do traidor, que encontra-se alheio ao verdadeiro amor, embora conviva com Jesus, ela poderia e deveria ter vendido o perfume caro e dado o dinheiro aos pobres. Mesmo que seu interesse pelos pobres fosse sincero, ainda seria prova de que ele não havia compreendido bem aquele ato. Não é correto trocar o Criador pelo criado, assim como constitui idolatria faltar à Santa Missa por outro serviço, considerado mais importante, seja de formação, de um ato de caridade, etc... Mas, acontece que a proposta de Judas era só fachada, como o é, muitas vezes, essas propostas de pseudo-revolução que se organizam por aí por pseudo-católicos desprovidos de espiritualidade. Cristo, diante daquele gesto profundo de amor, diz: "Em todo lugar em que for pregado este Evangelho, este ato lhe será conhecido em sua memória". O homem que não reza deixa-se enganar pela aparência. Considera que apenas o ato visível é verdadeiramente cristão. Não é de estranhar, então, que alguns sejam tão frios à Santa Missa, culto supremo de adoração...

Quero deixar escrito aqui a grande verdade testemunhada por S. José Maria Escrivá: "Em primeiro lugar, oração; em segundo lugar, expiação; em terceiro lugar, muito em terceiro lugar, ação". De Santa Teresa D'Ávila: "A oração é a vida da alma". De S. João da Cruz: "Deus espera de ti muito mais um ato de submissão e humildade do que todos estes atos que pensas prestar-lhe". De Santo Afonso: “quem não reza se condena”. Outro santo também já havia escrito: "Assistir devotamente a uma Santa Missa é mais valoroso para Deus do que fazer peregrinações por toda a terra". Um outro ainda diz: "Um ato de amor contemplativo é muito mais valioso do que uma ação, pra alma, pra Deus e para toda a Igreja". Interessante que, diante do nardo derramado, o Apóstolo afirma: "O perfume encheu toda a casa", ou seja, a casa, que é a Igreja, foi muito mais beneficiada dessa forma do que por uma atitude social, talvez hipócrita, mas aparentemente heróica. Estes que hoje pregam contra a oração e a colocam em segundo plano desmerecem a Tradição da Igreja, distanciam-se do próprio Cristo, manipulam alguns textos do Evangelho segundo seus interesses estranhos, desmerecem tantas ordens monásticas e homens de solidão que ajudam a sustentar a Igreja com suas orações e, ainda, revelam pouco interesse real de conversão.

Uma tal mudança social provocada por pessoas que não se mudam a si mesmas só pode provocar o riso. "Buscai o Reino de Deus e tudo o mais vos será acrescentado". A verdadeira mudança é consequência da verdadeira santidade, da verdadeira ação de Deus no homem que, sabendo-se miserável e impotente, confia somente em Deus que o conforta. Só aquele que se humilha será exaltado. Seguir a Cristo à força de achismos pessoais não é algo interessante de se fazer. Afinal, este é o motivo da existência de tantos hereges e fundadores de denominações religiosas, as mais estranhas...

A verdadeira Igreja Católica tem como ponto mais alto a Celebração Eucarística, o Mistério dos mistérios, onde o Cristo se dá, onde se revive o Sacríficio cruento da cruz de forma incruenta; onde Cristo se entrega como verdadeira comida e bebida, condição para a Salvação. Se o cristão despreza estes mistérios, como dizia Deus Pai a Santa Catarina de Sena, até os demônios sentem asco deste "cristão".

Interessante que em Fátima, para controlar a guerra, N. Senhora não pede que os pastores organizem revoluções ou atos sociais. O que ela pede? Que rezem o terço.
Um cristão que não conhece a supremacia da oração sobre a ação, de cristão só tem o nome.
Mais uma vez, quero afirmar que o caráter social é realmente necessário e muito útil, mas só é sadio e equilibrado, quando fundamentado na oração.

"Muitos daqueles que se dizem amigos de Jesus, de fato, muito pouco o conhecem, pois fogem de imitá-lo, de renunciar a si mesmos, de seguir o caminho da cruz e de renunciar os prazeres por amor a Cristo"... (S. João da Cruz)
O que diria então daqueles que nem rezam, inventando um Jesus socialista? kkkk... De Jesus, só conhecem o nome...

Enfim, quem dera que rezássemos demais! A nossa realidade seria outra! A nossa visão seria outra! A nossa ação seria muito mais eficaz, como a de S. Francisco que, somente ao andar pelas ruas, convertia corações... Não nos enganemos. Em primeiro lugar é preciso muita oração. A Igreja é, a princípio, contemplação, união e proximidade com Cristo, é estar sentado quieto e submisso aos Seus pés para Lhe ouvir e aprender a Verdade que é única e absoluta, e não dúbia e subjetiva... "O homem que confia em si mesmo é pior do que o demônio" (S. João da Cruz). É preciso submissão à Santa Igreja, obediência e reta formação! Que Cristo nos ajude a caminhar segundo a Sua Santa Vontade, ensinando-nos a derramar sempre este nardo, caríssimo e puro, somente nEle, este nardo que é o nosso amor; desperdicemos somente com Ele e, só então, o perfume encherá toda a casa.

Fábio Luciano Silvério da Silva

Sobre a Interpretação da Sagrada Escritura

Deus se comunica a todos os homens, desde tempos remotos, além de outras fontes, pela Sagrada Escritura. É certo que todos os seus autores, embora dotados de um estilo próprio e envolvidos dentro de um contexto cultural, escreviam, no entanto, sob a ação do Espírito Santo. E, embora haja na Bíblia algumas inexatidões históricas, há, porém, perfeição em seu sentido espiritual. Naquilo que a Bíblia se propõe expressar, ela é infalível. Nisto consiste o dogma da "Inerrância Bíblica". Portanto, qualquer que seja o texto, seu sentido espiritual é verdadeiro, profundo e, mesmo, atual.

É necessário, porém, não se lançar a fazer qualquer interpretação imediata da Bíblia. É claro que existem trechos mais simples, se bem que profundos; mas também há outros em que é preciso orientar-se. O erro de querer interpretar a Bíblia por si mesmo é, em si, a causa de tantas heresias e movimentos não católicos no decorrer da História. Ora, se Deus se propôs revelar-se, Ele o fez e confiou os sagrados ensinamentos e a reta interpretação à Sua Igreja. Alguns, afirmando que o estilo dos escritores é simples, lançam-se a qualquer conclusão precipitada da Sagrada Escritura; confundem simples com simplório. Em verdade Cristo deseja que haja ordem e submissão. Uma prova de que nem todos podem compreender, à primeira vista, o reto ensinamento cristão é que Jesus, antes de ressuscitar Lázaro, reza a Seu Pai nestes termos: "dou-te graças, Pai, porque escondes estas coisas aos soberbos e as revelas aos humildes". Desta forma, já sabemos que a simples presunção humana não alcança, não mergulha na substância das Escrituras. É aos simples que é revelado o Mistério. No entanto, não quer isto significar que não se deva ter o estudo devido, que não se deva preparar-se intelectualmente. Desta forma, cairíamos no "fideísmo", doutrina já condenada por João Paulo II, que consiste em propor uma Fé que despreze a razão. Não é disto que Cristo fala; aliás, há mesmo quem, por um pretexto de utilizar a virtude da pobreza, não se prepare intelectualmente, negligencie os estudos. Nada mais errado. A estes, lanço a ordem de S. José Maria Escrivá: "Se puder ser sábio, não te permito que não o seja". O que Cristo quer ensinar é que desde os ignaros aos mais intelectuais, todos devem revestir-se de santa humildade diante dos mistérios do Eterno, reconhecendo que estes os ultrapassa ao infinito. Só assim, o homem se porá à disposição de ser ensinado. Apenas que senta humildemente aos pés do Mestre e O escuta com quietude e humildade, poderá ser ensinado. Mas... Aqui ainda reside um risco: acreditar-se desprovido de orgulho e bem intencionado e partir para a interpretação pessoal da Bíblia. É preciso submeter-se; textos há em que pode haver dúvida. Nestes momentos, sinal de humildade é reconhecer que a Igreja é Mãe e Mestra em Fé e Moral, e saber dela o que o texto significa. Sobre a livre interpretação da Bíblia, S. Pedro já a condenada em uma de suas cartas: "A Sagrada Escritura não está aberta à livre interpretação". Em outro texto, Pedro adverte a alguns discípulos que não se apressem a interpretar erroneamente os textos de Paulo, pela sua complexidade. Pedro afirma que, embora os textos em si sejam úteis, podem constituir perigo para os que os interpretem a seu modo particular, sem recorrer a uma reta orientação. O próprio Cristo, interrogado por seus discípulos sobre o porque de se expressar por meio de palavras, responde: "Para que olhem e não vejam; ouçam e não compreendam". Ora, isto não quer dizer que seus ouvintes não tenham feito suas próprias conclusões, mas antes, que tais conclusões não se identificavam com a Verdade única e absoluta. Só aos amigos são revelados os segredos do Céu. Podemos provar mesmo pelos efeitos desta presunção de confiar na própria interpretação sem se submeter à experiência e infabilidade da Igreja o quanto é perigoso e o quanto isto pode distanciar de Deus e da reta verdade. Aliás, todos os mestres do passado estranhariam esta forma de religiosidade onde o discípulo forma-se a si mesmo sem submeter-se a um mestre; no máximo, ririam de certas denominações... Se o Espírito é um e unifica, se Deus é absoluto e não se contradiz, prova é de não ser de Deus as imensas contradições destas denominações outras. Nelas muitas formas há de interpretar um mesmo texto; aliás, a oferta é numerosa; no entanto, Cristo é apenas um e Sua Verdade não é dúbia. Se há, por isto, tantas versões de interpretações, isto quer significar que, com excessão da Verdadeira, todas as demais são falsas. De fato, como dizia o Apóstolo Paulo: "Não há comunhão entre a luz e as trevas". S. Francisco também já afirmava: "quando a bandeira da Verdade ergue-se, todas as demais têm que ceder". É preciso, por isto, para que se possa verdadeiramente compreender os mistérios do Cristo, submeter-se à Sua Amada Esposa, a Igreja. A ela, e somente a ela ao Amado quis revelar-se. De fato, que Esposo seria infiel à sua Esposa? Não caiamos neste erro de querer saber sem mestres. Isto não quer dizer que não possamos ler a Bíblia particularmente; podemos e devemos. Mas, devemos também conhecer a reta e perfeita doutrina da Igreja, para que não corramos o risco de cair em heresia, e ter a humildade de, diante de um texto difícil, perguntar a alguém mais experiente e confiável. Chega de RR. Soares, Edir Macedo, Silas Malafaia, Ellen White e seus disparates! Queiramos Cristo inteiro, na Igreja que Ele mesmo instituiu firmada sobre Pedro e os Apóstolos e sobre a qual as portas do inferno nunca prevalecerão. Que assim seja, Amém.
Fábio Luciano

A Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem


Os que quiserem se consagrar à Virgem Santíssima pelo Método de S. Luís Maria Grignion de Montfort devem primeiramente ler a obra deste santo entitulada O Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem. Nele, o leitor há de entender a seriedade da consagração, o papel fundamental e necessário que a devoção a Nossa Senhora tem na vida cristã autêntica e a sua particular importância nos últimos tempos. Neste livro, o leitor poderá ainda corrigir a sua devoção à Virgem e ter respondidas possíveis objeções feitas a esta prática, já que vivemos num mundo impregnado de protestantismo. Já no final do livro, o santo ensina o modo de se preparar para a consagração, que é de 33 dias, e as obrigações diárias dos que se consagraram, chamados agora de Escravos Perpétuos de Jesus por Maria.


Exemplos de alguns santos que foram escravos de Maria por este método: São João Maria Vianney (Cura D'ars), São João Bosco, São Domingos Sávio, Sta Teresinha de Lisieux, Santa Gema Galgani, S. Pio de Pietrelcina, S. Pio X, Sto Antônio de Santana Galvão e ainda o bem-aventurado Papa João Paulo II.

Importa, ainda, saber que esta devoção não foi inventada por S. Luís Maria Grignion de Montfort. Na verdade, ela remonta aos primeiros séculos do cristianismo, mas foi a partir deste santo que ela se tornou mais conhecida e ganhou uma exposição mais sistemática.

Lema dos Consagrados: 
Totus tuus, Mariae, et omnia mea tua sunt 
Sou todo teu, Maria, e tudo quanto tenho vos pertence.

Recomendamos comprar o livro. Mas ele também pode ser baixado clicando na figura acima. Salve Maria Santíssima!

Grupo de Resgate Anjos de Adoração - GRAA
"Gira o mundo, mas a cruz permanece firme" (Lema dos monges Cartuxos)
"Quem quiser seguir a Cristo, não o busque sem a cruz" (S. João da Cruz)



Na Santa Missa nós tocamos em Jesus, comemos a Sua Carne e bebemos o Seu Sangue...

Quem tudo perde, ganha a alegria

Nada mais tenho; por isso tenho alegria...
Nada mais que pese em meus bolsos e me prenda à terra,
Nada mais que, prendendo-me ao solo, me impeça de saltar até as estrelas.
Sou livre como água que corre e o vento que passa.
Quem perde tudo, ganha ainda; e quem perde a si mesmo, encontra a alegria.
Nada mais tenho; identifico-me, por isso, com a alegria...

Perdi todo o musgo que se agarrava à minha identidade, e minha própria identidade.
Já não sou eu mesmo, pois sou Cristo!
Mas sendo Cristo, sou a Alegria.
Minha alegria é para Deus e eu sou para Deus.
Minha alegria é ligada a Deus e eu estou unido a Deus.
Minha alegria e eu pertencemos a Deus.
Ninguém me tirará.
Se queres arrebatar minha alegria, vem tomá-la das mãos de Deus!

Pe. Joseph Folliet (1903-1972), fundador dos "Companheiros de Francisco"

A alma de Cristo na Eucaristia


A alma e a divindade de Jesus não estão simplesmente em segundo plano, de maneira latente, inerte e mais ou menos abstrata. Neste sacramento do seu amor, Cristo está presente com todas as suas potências e capacidades dispostas a agir e operar com todas as ações e ‘paixões’ (no sentido metafísico) que pertencem à sua vida glorificada, no céu. Há somente uma exceção a assinalar. Desde que o Corpo de Jesus não está em relação com a realidade material por contato de dimensões quantitativas, neste Sacramento Ele não exerce suas faculdades sensitivas, pelo menos de um modo natural. Não nos vê com os olhos corporais. Mas, afinal, não necessita faze-lo, pois que a visão divina que possui, ilumina-lhe a mente com um conhecimento de todos nós muito mais profundo e íntimo do que possamos imaginar.

No tabernáculo, Cristo nos vê e nos conhece de maneira muito mais nítida do que nos vemos a nós mesmos. O conhecimento que de nós existe no Cristo sacramentado, que recebemos na comunhão, é um conhecimento que Ele já possui das próprias profundezas do nosso ser. Portanto, Jesus no SS. Sacramento não nos perscruta examinando-nos friamente como se fôssemos objetos, seres dele muito remotos, conservando ainda alguns traços enigmáticos. Conhece-ns em Si mesmo, como seus ‘outro eu’. Conhece-nos subjetivamente como se fôssemos uma extensão – o que de fato somos – da sua própria Pessoa. Esse conhecimento por identidade é o que vem, não apenas da ciência, mas do amor. A psicologia moderna forjou a palavra ‘empatia’. É o conhecimento que se tem de outro ‘por dentro’, por uma simpatia que se projeta e vive as experiências desse outro tais quais se lhe apresentam. Mas essa empatia humana é, ainda, algo de incerto e remoto que não consegue vencer a distância que existe entre dois espíritos distintos. A ‘empatia’ de que somos alvo por parte de Cristo, com a qual Ele nos compreende, procede das profundezas do nosso próprio ser e é tão profunda que, se quisermos saber a verdade a nosso respeito, temos de procurá-la nEle no momento da santa comunhão. Pois Cristo é o nosso mais profundo e íntimo ‘ser’, nosso ser mais alto, nosso novo ser como filhos de Deus. É isso que significa para nós dizer com S. Paulo: “viver para mim é Cristo” (Filip 1, 21). A paz que desabrocha nas profundezas de nossa alma, o silêncio espiritual, o repouso, a segurança e a certeza que recebemos na comunhão com a consciência da presença dEle é um sinal de que abrimos a porta que dá acesso ao santuário íntimo do nosso ser, o lugar secreto onde nos unimos a Deus. É este o ‘aposento’ no qual devemos entrar quando oramos ao Pai em segredo (Mt 6, 6). Na verdade, só aquele que nos ensinou que esse é o lugar onde devemos nos retirar pra orar é quem no-lo pode abrir.

Aos olhos humanos, o Cristo no SS. Sacramento pode parecer inerte e passivo. Contudo, é Ele quem nos chama à comunhão pela ação das inspirações interiores e secretas, porque sabe que precisamos desse alimento místico. Quando recebemos a sagrada hóstia é não só porque temos o desejo de receber a Cristo, mas também, e sobretudo, porque Ele, neste Sacramento, deseja dar-se a nós. Nas palavras de Santo Ambrósio: “vieste ao altar? É o Senhor Jesus que te chama...dizendo-te ‘Deixai-o beijar com um beijo de sua boca’”... Ele te vê livre de pecados, pois foram apagados. Portanto, julga-te digno dos sacramentos celestes e por isso te convida ao banquete celestial.

A caridade de Cristo que lhe impulsiona a vontade, oculta na santa Eucaristia, é o mesmo infinito amor que tem por todos os homens e que os atrai pela graça do Espírito Santo, à união com o Pai no Filho. Esse amor, dizemo-lo mais uma vez, não é apenas caridade universal que abraça a todos, sem exceção, mas atinge igualmente a cada um no inescrutável ocultamento da sua própria e singular individualidade. Assim como Cristo me amou e se entregou por mim (Gál 2, 20), assim, também Ele me ama e vem a mim no SS. Sacramento. Quando se vê unido a mim na comunhão, de modo algum se admira de saber que sou um pecador. Já o sabia; e me amou tal qual sou. Vem a mim porque é sempre o amigo, o refúgio e o Salvador dos pecadores. De minha parte, devo fazer todo o possível para corresponder ao seu amor, mesmo se não sou digno desse amor. E o melhor modo de a Ele corresponder é crer na sua inexprimível realidade e agir de acordo com minha crença.

Neste Sacramento, o Amor de Cristo aumenta a nossa capacidade de receber a graça e nos move a produzir atos de uma caridade mais fervorosa e espiritual. É por uma moção da vontade de Cristo que recebemos o Espírito Santo que, como diz Scheeben, é o fogo espiritual que prorrompe, com ímpeto, do Cordeiro imolado, na Eucaristia. Temos aqui alguns textos em que esse grande teólogo do Séc XIX nos dá a própria medula da doutrina dos santos padres.

“No estado glorioso em que se acha, o Corpo de Cristo é, por assim dizer, o trigo que vive pelo poder do Espírito Santo; na Eucaristia é o pão cozido pelo fogo do Espírito Santo, por onde esse divino Espírito confere a vida a outros. A Carne de Cristo dá vida... pelo Espírito, energia divina que nela reside. “A carne do Senhor é espírito vivificante”, diz stº Atanásio...”porque foi concebido por Espírito Vivificador. Aquilo que nasce do Espírito é espírito...” Ora, o Cordeiro de Deus, imolado desde o princípio do mundo ante os olhos de Deus, se deve manter diante de Deus como eterno holocausto ardendo no fogo do Espírito.”

A vontade humana de Cristo, Salvador do mundo, perfeitamente unido para sempre à vontade de Deus Pai neste sacrifício, produz cada movimento pelo qual o Espírito Santo procede no íntimo de nossos corações atraindo-nos à união com o Logos. Por sua vez, o Espírito desperta em nosso coração uma profunda e mística correspondência à ação do Verbo Encarnado que recebemos na comunhão. O Espírito Santo nos revela a realidade da presença de Cristo e a imensidão do Seu amor por nós. O Espírito Santo abre o ouvido secreto, íntimo, do nosso espírito de maneira que possamos distinguir os puros acentos da voz de Cristo, o Homem Deus, que fala no interior de nossas almas, que uniu tão intimamente à Sua. E, por nossa correspondência a essa moção do Espírito de Deus enviado aos nossos corações pela ação do amor pessoal de Cristo por nós, unimos plenamente a nossa vontade à dEle, nosso coração ao Seu Sagrado Coração e nos tornamos ‘um espírito’ com Ele, conforme a palavra de S. Paulo: “Aquele que está unido ao Senhor é um espírito com Ele” (1 Cor 6, 17). O Pai, então, ao nos contemplar não vê senão a Cristo, Seu Filho muito amado no qual põe as Suas complacências.

Thomas Merton, O Pão Vivo.

Católicos no mundo contemporâneo

Já não é estranho para aqueles que assumem um catolicismo integral e real que sejam vistos, nos dias de hoje, como retrógrados e quase extraterrestres. Desde os tempos de Jesus, os cristãos não eram muito estimados. Ninguém permanecia indiferente ao próprio Cristo, ou o amavam, ou o odiavam. Enfim, hoje vivenciamos um tempo difícil onde a convicção da nossa Fé tem de ser firme. A onda do laicismo, que mais tende à anti-religião, não consiste apenas num evento natural que aconteceu e aí está. Há toda uma intenção de pessoas em abolir qualquer que seja a visão espiritual das consciências. Querem matar Deus de novo, mas agora nos corações dos cristãos, como escreveu alguém. E o processo de tentativa já se acha bem adiantado, pois Nietzsche já proclamava a morte de Deus. Ora, eu escrevi “tentativa” porque nunca virá a termo esta proposta luciferina. No entanto, muitos católicos têm cedido às visões toscas que se tem difundido contra a Igreja e contra a religião. Utilizando-se de uma historicidade adulterada, muitos tentam fomentar no coração dos católicos uma certa descrença pela sua Igreja, pelos seus dogmas, pela sua doutrina, pela sua origem e, até mesmo, pela dignidade do seu fundador. Presenciamos, aqui e ali, católicos que assim se dizem, mas que não aceitam isto ou aquilo que a Igreja propõe, que não apreciam Sua Santidade o Papa, que discordam neste ou naquele ponto da doutrina da Igreja. É triste ver que a fé destas pessoas nunca se fortaleceu e que preferem acreditar em teorias fajutas à força de manipulações de fatos históricos que não aconteceram como se contam, de teorias sofistas que visam apenas a destruição da religião porque tem se oposto a um suposto progresso da humanidade. Não é à toa que a Sagrada Escritura diz: “maldito o homem que confia em outro homem”. O resultado desta negação de Deus e de aparente independência do homem como senhor de si mesmo, não tem resultado na prometida felicidade. A relativização dos valores, encarados hoje como tabus puramente culturais, tem dado ao homem uma ilusão de libertação, mas... pura ilusão que não se sustenta senão à constante afirmação de sua mentira por parte do homem, enquanto, na verdade, este tende a se perder num redemoinho de ficções. É irônico ver que, o tempo progride, mas o homem destes tempos parece querer a barbárie. Sim, se está provado que o homem é um animal somente, como o disse Darwin, que não há nada além desta existência, como o afirmou Sartre, que o homem deve satisfazer seus desejos sem escrúpulos, como disse Freud, e que Deus morreu, como escreveu Nietzsche, então, que sentido tem em ser virtuoso, seguir uma instituição puramente cultural que se baseia em valores ultrapassados e cujo autor, embora se declarasse Deus, estava enganado ou mentiu? Esta é a lógica que querem impor aos católicos e a toda civilização com o objetivo de extirpar do mundo a crença em Deus. E, embora não venham a obter o sucesso absoluto desta ridícula empresa, têm feito muitos males a muitos católicos e cristãos em geral, cujos fundamentos não se tornaram firmes.

Os antigos filósofos, os pré-socráticos, embora tão distantes de nós por viverem em tempos tão antigos, apreciavam profundamente a vida de virtude. Faziam-se pobres, renunciavam ter famílias, fascinavam-se pela castidade, eram íntegros, verdadeiros, justos e todas estas virtudes faziam parte de sua educação para os novos filósofos. Não se concebia que um filósofo não fosse virtuoso. Havia um destaque intenso neste sentido. E nós, aparentemente mais evoluídos, desprezamos a virtude como algo qualquer. Claro, numa sociedade hedonista, onde só vale a competição, a vitória sobre o outro, a mentira, a satisfação dos desejos mais torpes, o consumismo, o imediatismo, a comodidade, a posse de bens materiais. Creio que se os antigos filósofos pudessem observar o futuro e nos vissem, se envergonhariam do rumo que a humanidade tomaria em dados dias. Em lembrar que Sócrates deu sua vida por aquilo que acreditava. O mundo de hoje não cultiva verdades e valores que sejam mais valiosos que a vida, e, se alguém o faz, é tido como retrógrado e alienado. Lembro-me também da frase de D. Estêvão Bettencourt: "se dez vidas eu tivesse, dez vidas eu daria a Cristo".

Hoje, nós como católicos devemos ser fiéis à Santa e Infalível Igreja Católica. A nossa grande necessidade hoje consiste em dois sentidos: 1º sermos pessoas sérias de espiritualidade profunda, ou, como disse Pe. Roberto Lettieri, homens e mulheres de mistério. 2º sermos apologéticos de respeito, isto é, estarmos em condições de defender a Igreja onde quer que for. Para isto é necessário que nos lancemos ao estudo de sua história, que a conheçamos como realmente aconteceu, que conheçamos a pureza de sua doutrina e que evitemos erros heréticos que são comuns hoje, como por exemplo, a teologia da libertação que, de teologia, só tem o nome. Os cristãos convictos nos tempos atuais incomodam a muitos e serão perseguidos e criticados. Mas devemos permanecer fiéis e seguros. Isto se dá porque a nossa atitude de Fé firme em Deus, denuncia a fragilidade de valores dos inimigos da religião. Devemos conhecer a Deus verdadeiramente, sem invenções, sem caricaturas, mas conhecê-lo como Ele é. Para que não nos enganemos, devemos procurá-lo na Igreja e não fora dela. O Esposo é fiel à sua Esposa. Uma vez escutei de uma pregadora católica mais ou menos o seguinte: "para cada tipo de pessoa, uma igreja diferente". Nada mais errado. Jesus é um só. Devemos amar os nossos irmãos e, como Paulo escreveu, "pregarmos oportuna e inoportunamente". Claro que muitas vezes seremos convidados a pregar num estilo franciscano: "anunciai o Evangelho a todos; se preciso for, use as palavras". Apenas a nossa atitude silenciosa muitas vezes poderá ser mais eficaz do que nossas palavras. Devemos, enfim, crer que a Igreja é Mestra em Fé e Moral. Devemos seguí-la, obedecê-la e, se por acaso ela proclamar algo que a princípio não concordarmos, façamos o doce exercício de nos resignarmos e nos submetermos à voz daquela que sabemos ser a depositária dos tesouros de Cristo. Se uma criança acha que não deve escovar os dentes, mas o pai afirma que deve, quem está certo? É preciso submissão, obediência. Alguns dos inimigos da religião chamarão isto de "dominação de massas"; nós, no entanto, chamamos de amor. Ser católico requer seriedade. Jesus mesmo disse: "Quem não está comigo, está contra mim". Estejamos com Cristo.

Pregações Pe. Roberto Lettieri


Baixe pregações do Pe. Roberto Lettieri visitando o link abixo:

Toca de Assis - Fiel Pelicano

Charge...


Fonte: www.veritatis.com.br

As inspirações do Espírito Santo

… as inspirações do Espírito Santo pelos Sete Dons, não são, geralmente, dramáticas e espetaculares nem por seu objetivo nem por seu modo de atividade. Depois de ler as vidas dos santos e as experiências dos místicos, algumas pessoas ficam convencidas de que a vida mística deve ser algo de uma ópera wagneriana. Coisas tremendas acontecem todo o tempo. Cada nova moção do Espírito é anunciada por trovões e faíscas. Os céus se abrem e a alma evola-se do corpo numa explosão de supra-terrena e resplandecente luz. Aí ela encontra Deus face a face, no meio de um grande turnverein de santos e anjos de trombeta, a voar e a cantar. Há, então, uma eloqüente troca de impressões entre Deus e a alma, num dueto que durará no mínimo sete horas, pois sete é um número místico. Tudo isso pontilhado por terremotos, eclipses do sol e da lua, e explosão de bombas supersubstanciais. Eventualmente, depois de um curto ensaio musical do Fil do Mundo e do Último Juízo, a alma volta a si para descobrir que está rodeado de irmãos cheios de admiração, inclusive um ou dois a tomarem suas notas na previsão de algum futuro processo de canonização.

É, em geral, certo dizer que o ruído e agitação na vida interior são sinais de inspirações saídas de nossas emoções ou de algum espírito que é tudo que quiserem, menos o Espírito Santo. As inspirações do Espírito Santo são quietas, porque Deus fala nas profundezas silenciosas do espírito. Sua voz traz a paz. Ela não levanta excitações, mas as aplaca, pois elas pertencem à incerteza, ao passo que a voz de Deus é certeza. Se Ele nos move à ação, avançamos com uma força pacífica. Na maioria das vezes, suas inspirações nos ensinam a ficar quietos. Mostram-nos o vazio e a confusão de projetos que pensávamos ter feito para a glória de Deus. salva-nos dos impulsos que nos lançariam em rude competição com os outros homens. Livra-nos da ambição. É mais fácil reconhecer o Espírito Santo na obediência e na humildade que Ele inspira. Não o conhece ainda aquele que não saboreou a tranqüilidade que acompanha a renúncia da nossa própria vontade, do nosso prazer, dos nossos interesses, sem glórias, nem notícias, nem aprovação, atenta ao interesse de outra pessoa. As inspirações do Espírito Santo não são grandiosas. São simples. Movem-nos a procurar a Deus em trabalhos que são difíceis sem ser espetaculares. Levam-nos por caminhos que são felizes por ser obscuros. “Ele é o Espírito da Verdade”. (Jo. 14,16), e “a verdade vos libertará”. Suas inspirações fazem-nos puros. Livram-nos da grosseria e da limitação.

E à luz do Espírito Santo podemos ser ao mesmo tempo felizes e tristes. Felizes por causa da verdade de Deus, tristes por causa do que fomos. Felizes também pelo que sabemos que seremos. Achamos força e humildade, desenvoltura e cautela, unidas sob esta luz que nos enchendo de um amor miraculoso, nos ensina o caminho do conhecimento nas trevas.

Ainda uma coisa: a luz do Espírito Santo não nos deixa complacentes conosco mas com Deus só. E se nela não ficamos descontentes conosco, é pela profunda união que ela nos comunica... A luz do Espírito Santo não se confunde com a admiração em que se tem o Fariseu que ama a sua própria imagem.

Thomas Merton, Ascensão para a Verdade, 1958. Ed. Itatiaia, p. 134-136.
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