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Frases de Léon Bloy sobre o mundo moderno


"Um homem que opõe a Razão à Fé é tão estúpido quanto um cavaleiro que não dê de comer a seu cavalo. Ora, sabeis que esse é o nível mental atual, não só dos descrentes como da maioria dos católicos. Ficar-vos-ia reconhecido se me dissésseis como poderei fazer para não desprezar tudo isso."

"Julgo que nunca houve época tão desprovida de interesse. Desesperante uniformidade da baixeza e da porcaria, atestada pelas secreções do jornalismo."

"Chegamos a esse momento formidável e absolutamente estranho em que, Deus tendo sido expulso de toda a parte, nenhum homem saberá mais onde ir..."

"Já agora, o idiota é dono do mundo. É ele que é necessário, é ele que é procurado. Só ele é capaz de representar, de legislar, de presidir! A experiência está feita. Se há alguma coisa impossível é imaginar um homem, não digo superior, mas apenas dotado de uma inteligência rudimentar, podendo ser considerado digno de fazer leis ou de exercer uma função pública. O cretinismo é rigorosamente exigido."

"Dez mil manifestantes, bandeiras vermelhas e negras. Sindicalistas de um lado, agentes e soldados de outro. 250 feridos, ao que se diz. Seria necessário um novo Pentecostes para fazer compreender a esses pobres operários libertários, dominados e martirizados por alguns pândegos, quanto eles são imbecis!"

"Sabeis o que foi dito na Salette. O mundo moderno está entregue a Satanás, por decreto, de há um século, e a grande fortaleza, a Igreja, foi atingida. Pareceis esperar não sei que retorno dos povos a Deus, percebi isso em vosso livro. Não o espero, eu. O passado está bem para trás, bem abolido. Sem dúvida, é forçoso que Deus triunfe, no fim. Mas, depois de que terríveis trevas!"

"Outrora, havia a Glória que viva sem rumor e sem magnificência, e que, ainda que fosse a grande soberana, não vestia jamais outra púrpura senão a do seu próprio sangue, quando o derramava para se tornar imortal. Hoje que essa imortal está morta, a infame folgazona que a destronou, a Opinião pública, nada em esplendores, pois seu concubino preferido é o mais incontinente dos cegos rigos e se chama o Sucesso."

"É verdade que o mundo não é muito difícil de ficar espantado. É tão medíocre e tão baixo, esse apanágio de Satanás, que uma aparência de força ou de grandeza basta, comumente. Foi o que muitas vezes se viu nos nossos dias quando políticos ou escritores, capazes no máximo de aguilhoar carne ou de filar jantares, puderam se fazer admirar por multidões".

"Onde estão, hoje, as almas heróicas? Sei bem que o heroísmo pode ser encontrado, pelo menos em estado rudimentar, entre os nossos combatentes, mas o heroísmo integral, sem costura nem emenda, onde está ele? É o do cristão completo que tudo deu por amor de Deus antes de dar alguma coisa à pátria, e deve ser extremamente raro".

FARIA, Octávio de. Léon Bloy. Rio de Janeiro: Gráfica Record, 1968.

Sobre Missas-Shows e certos eventos que nem o demônio ousaria...

"Carniceiros", como os chama Nosso Senhor.
O que a Santa Missa é, na verdade...

Eu fico olhando este costume pavoroso que se tornou comum nos dias de hoje. Uma atitude tão profundamente cruel, tão nefasta e blasfema e que, não obstante sua fealdade suprema, tem tomado lugar frequentemente nos ambientes ditos católicos. Falo da instrumentalização do Santo Sacrifício da Missa para fins outros. Que terrível é que os padres não tenham mais a mínima noção da absoluta sacralidade da Liturgia Eucarística e saiam promovendo todo tipo de eventos e festas, pondo, às vezes, a Santa Missa em paralelo ou abaixo de outras atrações que sequer alcançam o nível básico da moralidade.

Dias atrás, presenciava eu um desses eventos. A Santa Missa acontecia sobre um palco, no extremo lado direito, num canto apagado. Ao centro, ia um telão. Depois do Sacrifício do Senhor, os presentes assistiriam um filme. Parecia, na verdade, que essa era a atração principal: o filme. Ali não se via nenhum cuidado com a Liturgia e as músicas se assemelhavam muito mais a um batidão. Qualquer sombra de verdadeira arte estava ausente. A dispersão dos presentes era total. Barracas, aos lados, vendiam churrascos e batatas fritas. Ninguém tinha a menor idéia do que estava a acontecer: um sacrilégio coletivo.

Por diversas vezes, eu li que a comunhão indigna é um pecado imensíssimo. No entanto, não há mais qualquer cuidado. Os padres não se importam em formar os fiéis; nunca falam do pecado mortal, não acompanham os poucos que ainda pretendem ter uma vida espiritual minimamente coerente. Os fiéis que querem seguir o catolicismo de modo absoluto devem se animar a dar passos solitários, guiando-se a si mesmos, formando-se a si mesmos, e sendo mal vistos a todo o tempo como pessoas suspeitas.

Uma tal de Missa dos Vaqueiros está aí a ser anunciada. Virá um cantor relativamente famoso para fazer a festa depois da Missa. É claro que os que comparecerão a este evento estarão visando sobretudo o show posterior. Sequer quero imaginar as disposições de alma dos que lá estarão, as estratégias de diversão, as roupas com que aparecerão na "mesa dos escarnecedores". E ai dos que criticarem este tipo de coisa; serão vistos como fanáticos, fundamentalistas, alienados e adeptos de qualquer modinha perigosa e inconveniente que não deve ter mais espaço nos nossos dias.

E lá se vão tantas e tantas comunhões sacrílegas de tantas almas em pecado mortal. E lá se vão tantos fragmentos da Eucaristia caindo pelo chão e sendo pisoteados nas danças imorais que se seguirão. E lá virá Nosso Senhor, de novo, dar-Se em sacrifício pelos seus, mas não ser por eles reconhecido, nem amado, nem adorado, nem sequer respeitado. A Missa torna-se como que atração cultural de abertura de um show estranho. Reduz-se o Calvário aos festejos típicos de uma certa região. Deixa de ser a Redenção do mundo, para ser uma comemoração vazia, uma simples agitação de cadáveres sem alma que tentam, à força de sacrilégios e barulhos fátuos, distraírem-se da própria nulidade, da ausência de sentido com que vivem. E, quando a Santa Missa poderia e deveria ser o encontro com o Cristo na Cruz, à semelhança dos feridos no deserto que olhavam para a Serpente de Bronze, alguns outros fazem questão de encobrir a cruz e brincar de reunião fraterna, com chapéus de festa, ao jeito de infantes irresponsáveis, com gritinhos e sons de berrantes; tudo isto para abafar, no alarido nonsense destes desesperados, o grito terrível dAquele que, pendente na Cruz, deu a vida por nós, nós que agimos como imbecis irresponsáveis e dignos mil vezes do inferno.

Advertiu São Paulo: "de Deus não se zomba". Eu gostaria muitíssimo de ver o braço absoluto de Nosso Senhor. Ando muitíssimo saturado disso tudo. Imensamente cansado... E toda essa bagunça tem repercussão na minha vida espiritual. Eu gostaria de ver pelo menos um traço da indignação do Senhor, mas Jesus tem um amor e uma paciência infinitos. Porém, a justiça será feita. E nenhum devasso escapará. 

**

PS.: 
* As profanações, nos dias de hoje, são ainda piores do que as piadas que os fariseus soltavam diante da Cruz. Naquela ocasião, Nosso Senhor pedia ao Pai para lhes perdoar, pois eles não sabiam o que faziam. Hoje,  porém, Jesus não poderia repetir tal petição.

* Este mascaramento do Sacrifício do Senhor impede, objetivamente, que as pessoas conheçam a Deus tal qual Ele é, isto é, impede que muitas pessoas se convertam, dando-lhes uma visão equivocada sobre Deus e Sua Igreja, ameaçando eternamente as suas almas. Se, na verdade, toda a ação da Igreja deveria se orientar para a glória de Deus e a salvação das almas, este tipo de brincadeira irresponsável impede um e outro. Só Deus poderia dizer o tamanho desta afronta.

* Ontem foi dia de Nossa Senhora da Salette. Ela, quando apareceu, falou-nos de tudo isso. Recomendo a leitura aqui. Peçamos ao Céu que nos socorra. E os que podem ter uma vida católica completa, agradeçam infinitamente e rezem por nosotros.

Fábio.

Os santos sustentam o mundo


"O culto dos santos é sobretudo odioso para aquele inimigo (o Espírito do mal), porque os santos são uma carne mortal traspassada de glória, e porque, honrá-los é dedicar a essa divina Glória a mais perfeita das adorações. Ao mesmo tempo, os santos sustentam o mundo. Deus só fez a raça humana para que ela lhe desse Santos. E, quando essa raça não puder proporcioná-los mais, o universo se dissolverá como um pouco de poeira."

"Só há uma tristeza: não se ser santo."

Léon Bloy

A Virtude Oposta à Preguiça - A Diligência I


Se abrirmos o pequeno catecismo da nossa Primeira Comunhão, é quase certo que encontraremos uma pergunta acerca dos pecados capitais, seguida da lista dos seus sete nomes. E, a seguir, uma outra pergunta esclarecerá quais são as virtudes opostas aos vícios capitais. Nessa segunda pergunta, estarão impressas certamente estas três palavras: contra preguiça, diligência.

A diligência é o antídoto específico da preguiça. Onde a preguiça cava um abismo, a diligência ergue uma montanha. E o que é a diligência?

Georges Chevrot, no seu livro sobre "As pequenas virtudes do lar", reproduz, com muito bom humor, o seguinte diálogo. Um garoto, ouvindo falar em diligência, mostra logo com um brilho nos olhos a sua sabedoria histórico-cinematográfica:

- "A diligência - diz - era uma carruagem puxada por cavalos, que se usava no faroeste antes de haver automóveis...
- "Muito bem, meu rapaz, você sabe muito - retruca o pai -; também deve saber que lhes foi dado esse nome porque iam muto depressa. Para a época, evidentemente"11.

Os pais quase sempre têm razão. Mas, neste caso, o pai da história, ao aprofundar na explicação, deu uma pequena escorregadela. Pode ser que, àqueles trambolhos rolantes, acostumados a fugir dos índios nos desertos do Arizona, tivessem dado o nome de diligência à sua rapidez. Mas o que é certo é que a palavra diligência, na sua origem, nada tem a ver com pressa ou velocidade.

Na realidade, diligência é uma palavra que vem diretamente do verbo latino diligere, que significa amar. De modo que, na língua-mãe do Lácio, diligens (diligente) significa aquele que ama.

Isto é da maior importância para o tema que nos ocupa. Dizíamos que a acédia - a preguiça - é o contrário do amor, pelo fato de sentir aversão e tristeza por aquilo mesmo que atrai e alegra o amor: o bem, mesmo que seja  árduo e difícil. Em confronto com a preguiça, a virtude da diligência consiste no carinho, alegria e prontidão (coisa diferente da pressa) com que pensamos no bem e nos prontificamos a realizá-lo da melhor maneira possível.

Poucas descrições da diligência existem, mais ricas de conteúdo, do que a contida numa das homilias de Mons. Escrivá, que transcrevemos a seguir:

"Quem é laborioso aproveita o tempo (...). Faz o que deve e está no que faz, não por rotina nem para ocupar as horas, mas como fruto de uma reflexão atenta e ponderada. Por isso é diligente. O uso normal dessa palavra - diligente - já nos evoca a sua origem latina. Diligente vem do verbo diligo, que significa amar, apreciar, escolher alguma coisa depois de uma atenção esmerada e cuidadosa. Não é diligente quem se precipita, mas quem trabalha com amor, primorosamente"12.

Se quiséssemos retratar o anti-preguiçoso típico, é bem provável  que imaginássemos a figura de um personagem acelerado e febril, um incansável trabalhador impelido por uma sorte de movimento contínuo. E, no entanto, não é assim. É mais fácil encontrar agitados entre os preguiçosos que entre os diligentes. Paradoxalmente, a diligência está - num certo sentido - mais perto do "devagar", e a preguiça mais perto do "depressa". Mas esse "certo sentido" precisa de uma explicação.

Reparemos que as palavras de Mons. Escrivá, acima citadas, esclarecem que uma pessoa é diligente quando aproveita o tempo "como fruto de uma reflexão atenta e ponderada"; recordam, ao mesmo tempo, que só há amor - diligência - quando se sabe "apreciar, escolher alguma coisa depois de uma atenção esmerada e cuidadosa", e concluem alertando: "Não é diligente quem se precipita".

Muitas pessoas oferecem a imagem de um ativismo desenfreado. Não param um instante. Vão de cá para lá, assoberbados de tarefas, numa incessante corrida atrás do tempo, que sempre se lhes torna escasso. As ocupações os envolvem como que num redemoinho. Já não são donos de si mesmos. A sua atividade - ativismo, deveria chamar-se - domina-os como um cavalo sem freio, do qual perderam completamente as rédeas.

Lembram a história daquele oficial de artilharia, inexperiente nas lidas da equitação, que certa vez quis fazer uma experiência: pediu um cavalo, acomodou-se como pôde na sela e olhou na direção noroeste, para a localidade aonde desejava dirigir-se. Meia hora depois, no mais perfeito rumo sudeste, um grupo de oficiais observa o trotezinho desajeitado do cavalo e o olhar espavorido do colega que se lhe agarra ao pescoço, e indagam com ar brincalhão: - "Para onde é que você está indo?" - "Eu - responde o atribulado cavaleiro - ia para tal lugar, mas não sei para onde é que este cavalo me está levando...".

Muitos cavaleiros da agitação poderiam dizer a mesma coisa. Donas de casa que parecem uma Maria-fumaça sem breque, descendo descontroladas a ladeira do dia, sacolejadas por tarefas, saídas, telefonemas, problemas de escola, pagamentos, etc., arrastadas para o abismo de um permanente nervosismo e uma canseira atordoada. Ou profissionais tensos, em constante disparada, sem tempo para pensar, cuja alma de robô faz deles, mais do que trabalhadores, devoradores de tempo, autênticos "cronófagos".

Homens e mulheres desse estilo não são diligentes. São apenas agitados. Não percebem que, por trás do seu vaivém descontrolado e fatigante, estão sendo atacados por uma forma perniciosa de preguiça: a preguiça espiritual, a preguiça mental.

"O nosso século - escreve Jacques Leclercq - orgulha-se de ser o da vida intensa, e essa vida intensa não é senão uma vida agitada, porque o sinal do nosso século é a corrida, e as mais belas descobertas de que se orgulha não são as descobertas da sabedoria, mas da velocidade. E a nossa vida só é propriamente humana se nela há calma, vagar, sem que isso signifique que deva ser ociosa (...) Acumular corridas e mais corridas, não é acumular montanhas, mas ventos"13.

11- Georges Chevrot, As Pequenas Virtudes do Lar, Quadrante, São Paulo, 1984, pág. 74;
12- Josemaría Escrivá, Amigos de Deus, 2ª ed., Quadrante, São Paulo, 1979, pág. 64;
13- Jacques Leclercq, in: De La Vida Serena, págs. 19 e 20;

Francisco Fauss, A Preguiça, Quadrante, São Paulo, 1993, págs. 24-28.

Educação Tradicional, com "método do Séc. XIX", fica em primeiro lugar no ENEM

Colégio São Bento

Concordo totalmente com os tradicionais e "arcaicos" e "medievais" e "obscuros" e "patriarcais" e "reacionários" e "segregados" e "homogêneos" métodos do Colégio São Bento, localizado no centro do Rio de Janeiro, e que ficou em primeiro lugar, este ano, no Exame Nacional do Ensino Médio. Leia aqui.

O povo hoje pensa que a Educação é lugar pra ficar testando teoriazinha de meia tigela... Vejam aí, o exemplo. É só observar: de um lado, a modinha de uma educação moderninha, promotora de umas ideologiazinhas de fresco, que só tem feito que os alunos saiam cada vez mais despreparados. De outro lado, a educação tradicional de um São Bento que é expoente em todo o país. Contra fatos, não há argumentos. E quem usar de bom senso, terá de admitir. 

Professores, vós criticais tão facilmente os métodos tradicionais, mas engolis com toda facilidade essas teoriazinhas de esquerda, crentes de que estão salvando a educação. Abram os olhos, cambada!

Triunfo Católico em Meio aos Ataques

A Livre Interpretação da Escritura



"...o que nos choca na atitude protestante é o seu esquisito modo de estimar a Bíblia. Nenhum de nós que escreve gostaria de sofrer o tratamento a que o protestante submete o Espírito Santo. Nenhum de nós se alegra de ser livremente interpretado; e podemos até dizer que o nosso mais acabrunhante sentimento vem do elogio equivocado. André Gide disse uma vez a um admirador apressado que, por favor, não o compreendesse tão facilmente. Pois bem, o Deus ciumento de sua identidade, que martela em nossos ouvidos a sua terrível definição "Eu sou aquele que sou", e que nos recomenda insistentemente que guardemos a doutrina, é tratado como um acomodado personagem que nos dissesse com bonomia: Aqui está a minha revelação, estejam a gosto, e façam dela o que quiserem."

Gustavo Corção, "A Visibilidade da Igreja", A Ordem, Maio de 1951

Fonte: Permanência

A Cristandade é a sociedade vivendo à sombra da Cruz

A Santa Igreja

Mons. Marcel Lefebvre

É espantosa a insistência de nosso Senhor, durante toda sua vida terrestre, em falar sobre sua "hora". "Desiderio desideravi", diz Nosso Senhor: "Eu desejei, com grande vontade, essa hora de minha imolação". Jesus pensava na Cruz.

O "Mysterium Christi" é antes de tudo o "Mysterium Crucis". Isto porque nos desígnios da infinita Sabedoria de Deus para a realização da Redenção, da nova criação, da renovação da humanidade, a Cruz de Jesus é a solução perfeita, total, definitiva, eterna, pela qual tudo será resolvido. É sobre esta relação de cada alma com Jesus crucificado que o julgamento de Deus será aplicado. Se a alma está numa relação viva com Jesus crucificado, então ela se prepara para a vida eterna e já participa da glória de Jesus pela presença do Espírito Santo nela. É a própria vida do Corpo místico de Jesus.

Para nossa justificação, para nossa santificação, Jesus organizará tudo em torno desta fonte de vida que é o Sacrifício do Calvário. Ele funda a Igreja, transmite seu sacerdócio, institui os sacramentos para tornar as almas participantes dos méritos infinitos do Calvário. São Paulo não hesita em dizer: "Porque julguei que não devia saber coisa alguma entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado" (I Cor II, 2).

Ora, este sacrifício do Calvário, sobre nossos altares, se torna o Sacrifício da Missa, que ao mesmo tempo em que realiza o sacrifício da Cruz realiza também o sacrifício da Eucaristia que nos torna participantes da divina Vítima, Jesus crucificado.

A Cristandade é a sociedade vivendo à sombra da Cruz, da Igreja paroquial em forma de Cruz, com a Cruz na torre, abrigando o altar do Calvário renovado constantemente, onde as almas nascem para a graça e se mantêm pelo ministério dos padres que são outros Cristos.

A Cristandade é o lugarejo, são as vilas, as cidades, o país que à imitação do Cristo na Cruz, cumprem a lei do amor sob a influência da vida cristã da graça. (...) Realmente pode-se dizer que todas as coisas boas da Cristandade vêm da Cruz de Jesus e de Jesus crucificado, é uma ressurreição da humanidade, graças à virtude do sangue de Jesus Cristo.

Mons. Marcel Lefebvre, A Vida Espiritual Segundo São Tomás de Aquino, Cap. VII.

Canto à Cruz



S. Boaventura

Lembra-te da santa Cruz
No caminho da perfeição
Alegria incessante.
Da santa Cruz, lembra-te
Faz dela meditação
Perseverante.

A mais fervor e ardor,
Dessa Cruz, Cristo, teu Rei,
Sempre te chama
Sem tibieza nem torpor,
Mas com desejo que sempre cresce
No coração fiel

Ama a Cruz, luz e paz,
E que por ela, doravante,
Cristo seja teu Senhor!
Traça-a sobre ti, com a mão:
Ela te sustém e tu a sustens
Por todo o teu ser.

O coração na Cruz, a Cruz no coração,
Libertado do que não é belo;
Calmo e sereno.
Que bem alto a Cruz muito amada
Seja por teus lábios proclamada,
Sem fim louvada!

Em teu repouso, em teus labores,
Quando ris, quando choras,
Oh, guarda bem
- Quando vais, quando vens,
Em teus prazeres, em teus desgostos -
A Cruz no coração!

Se fazes dela o teu estudo,
Permanente será tua alegria
Nesta terra.
Eterna bem-aventurança
Para quem canta a santa Cruz
E persevera.

Procura a Cruz, carrega a Cruz
E, contemplando Cristo na Cruz,
Morre de amor!
Põe nela a tua confiança
Dia após dia, sem desfalecer,
Enquanto viveres!

Nela se compraza o teu espírito
Nela esteja tua constante ascese
Ó cruciferário!
Não há obra mais salutar
Do que oferecer à santa Cruz
Coração, mãos e voz!

S. Boaventura, Orar com S. Francisco de Assis.

A Doutrina da Cruz segundo S. João da Cruz e Sta Edith Stein


"Quão estreita é a porta e apertado o caminho que conduz à vida. Poucos são os que o encontram. Devemos observar bem a ênfase dada à partícula 'quão', pois é como se dissesse 'na verdade é muito estreita, mais do que podeis imaginar...' Essa via ao alto monte da perfeição, exige viajantes que não levem fardos que os façam pender para baixo... Já que se tem o propósito de somente buscar e alcançar a Deus, somente a ele se há de buscar e alcançar de fato! Instruindo-nos e incitando-nos nesse caminho, Jesus Cristo proferiu essa doutrina tão admirável e, receio dizer, tanto menos praticada pelas amas (que se sentem atraídas à vida espiritual) quanto mais necessária!

'Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois aquele que quiser salvar a sua vida, irá perdê-la; mas o que perder a sua vida por causa de mim e do evangelho, irá salvá-la'.

Oh! Quem poderia aqui agora dar a entender, praticar e saborear este conselho!... aniquilação de toda a suavidade em Deus... aridez... tédio... sofrimentos... eis a pura cruz espiritual e a nudez do espírito pobre, segundo Jesus. O verdadeiro espírito antes procura em Deus a amargura que as delícias, prefere o sofrimento ao consolo, a privação ao gozo, a aridez e as aflições às doces comunicações celestes, sabendo que isto é seguir a Cristo e renunciar-se. Agir de outro modo é buscar-se a si mesmo em Deus, o que é muito contrário ao amor. Buscar a Deus nele mesmo... é inclinar-se a escolher, por amor a Cristo, tudo quanto há de mais áspero, seja de Deus, seja do mundo". A renúncia, segundo a vontade divina, consiste em "morrer para sua natureza... aniquilando-a... em tudo quanto a vontade julga ser valioso na ordem temporal, natural e espiritual... Quem assim tomar a cruz sobre si experimentará o jugo suave e o fardo leve, encontrando em todas as coisas grande alívio e suavidade... Quando a alma ficar desfeita em nada - isto é, a suprema humildade - estará realizada a união espiritual entre a alma e Deus... união que consiste numa viva morte de cruz, sensitiva e espiritual, interior e exterior".

S. João da Cruz, Subida ao Monte Carmelo, Livro II.


Para tanto não há outro caminho, pois, segundo o plano divino da salvação, Cristo houve por "remir a alma e desposá-la consigo, servindo-se dos próprios meios que haviam causado a ruína e a corrupção da natureza humana; pois, assim como por meio da árvore proibida no paraíso, foi essa natureza estragada e perdida por Adão, assim na árvore da cruz foi remida e reparada." (S. João da Cruz, Cântico Espiritual, Explicação da Canção XXIII) Se quiser partilhar com ele da vida, com ele deverá passar pela morte de cruz, e deverá como Cristo crucificar a sua própria natureza por uma vida de mortificação e renúncia, entregando-se à crucifixão pelos sofrimentos e pela morte, conforme Deus determinar e permitir. Quanto mais perfeita for a crucifixão ativa e passiva, tanto mais íntima será a união com o crucificado, e tanto maior será a participação na vida divina."

Edith Stein, A Ciência da Cruz, Cap. I.

Sobre cadáveres que andam


"Quantas almas realmente vivas [existem] nesse fervilhar de seres humanos? Uma por cem mil, talvez. Ou, por cem milhões. Não se sabe. Há seres superiores, homens de gênio mesmo, talvez, cuja alma não foi vivificada e que morrem sem ter vivido. Um coração simples dirá cada dia, chorando de angústia: "Em que pé estou com o Espírito Santo? Sou verdadeiramente um vivo ou um morto que se devia enterrar?" É terrificante pensar que se subsiste no meio de uma multidão de mortos que se acredita vivos e que o amigo, o companheiro, o irmão que se viu de manhã e que se vai tornar a ver à noite, só tem vida orgânica, uma aparência de vida, uma caricatura de existência. E que, na verdade, é apenas diferente daqueles que já se estão desfazendo nos túmulos. É intolerável, por exemplo, pensar que se nasceu de pai e mãe que não existiam. E que esse padre, presente no altar, talvez não seja muito diverso de um outro já falecido e que o Fármaco de imortalidade, o Pão que ele consagrou para vos transmitir a Vida eterna, ele o vai estender com mão de cadáver, proferindo com voz defunta as santas palavras da liturgia! Funcionam, no entanto, todos esses fantasmas, com uma perfeita regularidade. A missa daquele padre é tão válida quanto a de um santo. Certa, a absolvição que administra aos pecadores. A força de seu ministério sobrenatural perdura enquanto a morte não triunfou definitivamente dele. E assim sucede com todos os semi-trespassados que nos rodeiam e que somos forçados a chamar, por antecipação: mortos. Continua-se a agir e mesmo a pensar mecanicamente, com uma alma destituída de vida"

Léon Bloy

FARIA, Octávio de, Léon Bloy. Rio de Janeiro: Gráfica Record, 1968, pág. 126

Pe. Libânio, o "Ateólogo" e seus Caminhos da Existência


Há poucos dias atrás, nós líamos, com desgosto, um texto de autoria do "ateólogo da libertação da carochinha" Pe. J. B. Libâneo que, disponibilizado pelo folheto litúrgico da Paulus, nos brindava cafajestemente com os clichês de um marxismo pseudo-beatificado. Na verdade, sendo patente a contradição de um materialismo espiritual, este padre ia tecendo, no seu artigo ordinário, não sutis elogios aos tais benfeitores ateus. E toda essa brincadeira de mau gosto, essa troça dos infernos, trazia a bênção de aprovação de uma entidade que merecia ganhar o prêmio nobel da tosquice, e cuja existência pode ser concebida como um cavalo de tróia a reunir inimigos disfarçados no interior da Santa Igreja, a CNBB.

Neste último domingo, porém, vimos que o Pe. Libâneo, inspirado por não sei que forças misteriosas, conseguiu o improvável fato de superar-se. O novo texto de sua autoria conclui aquilo que o de antes tinha sugerido. O ateísmo, nesta última ocasião, é defendido não apenas como uma via alternativa legítima, mas, ainda, como o único caminho adequado à nossa contemporaneidade. Ele passa a constituir a única escolha sincera frente à alienação israelita de se ater sempre a um passado onde se crê que Deus lhe tenha falado.

Também "desaloja a esperança", suposta fonte de infelicidade, talvez característica de cristãos simplistas que, ainda supostamente, se furtam da densidade do presente. Tudo isto é feito pela via ateísta em prol da valorização do aqui e agora, do Carpe Diem. Além de toda a falácia deste discurso, como bem o mostrou o Jorge Ferraz, mostrando como não há essa sabedoria popular totalmente alheia a qualquer religiosidade nem tampouco esta fuga do presente no cristianismo, cumpriria perguntarmos ao referido padre se ele é ateu, ou se é apenas um adepto prático desta fantasiosa teoria que ele expõe com tanta simpatia. Libânio faz papel vergonhoso de um jeito ou de outro.

Mas, passemos a limpo, enfim, algumas expressões que ele derrama na sua apologia da inutilidade prática de Deus.


"Importa amar somente o que existe hoje, sem olhar com saudosismo por um passado que já não existe". 

Quando Libânio expõe e elogia tal atitude, o que ele faz, na verdade, é pregar a infidelidade a qualquer valor, e reduzir o real ao estreito limite da nossa experiência imediata. Para ele, talvez sejam muito tolos aqueles exilados que, diante da proposta de cantarem, em outras terras, as músicas com que se alegravam em Sião, respondiam: "Como havemos de cantar os cantares do Senhor numa terra estrangeira? Se de ti, Jerusalém, algum dia eu me esquecer, que resseque a minha mão. Que se cole a minha língua e se prenda ao céu da boca, se de ti não me lembrar! Se não for Jerusalém minha grande alegria!" (Sl 136)

Para este padre, talvez fosse legítimo esquecer-se de Deus e traí-Lo com os atrativos imediatos. Mas, quem não perceberá que isto é precisamente o extremo oposto do Evangelho? Libânio discursa contra a fidelidade, que é sempre amor constante a algo e que, no contexto cristão, remete a Outro que está para além do tempo. Pobre Libânio... Vejamos se isto não se insere perfeitamente na "semiótica dos afetos" de Nietzsche. Segundo esta teoria, os diferentes sujeitos esconderiam seus interesses íntimos sob a capa de uma moral específica. Pode ser o caso, mas não ouso afirmá-lo.

O que será que este jesuíta míope - para ser generoso - diria ao ouvir a repreensão de Nosso Senhor: ""Ai de vós que rides", esquecendo-se de quem sois e de onde sois, traindo a vossa Pátria"? Por certo, este padre reclamaria ao escutar algo desse tipo: "Agora estais tristes (...) Mas, depois, o vosso coração se alegrará e ninguém vos tirará a vossa alegria". Dirá Libâneo que essa esperança é alienante? Talvez ele ainda rasgaria as vestes ao escutar o Cristo dizer o que segue: "o meu Reino não é deste mundo". Mas, ainda que o Libâneo esperneasse e se revoltasse espasmodicamente na sua tosca afetação e no seu tolo romantismo, ele, por certo, terminaria por escutar a grave reprimenda de Jesus: "Teus pensamentos não vêm de Deus..." e, se Jesus estivesse bem humorado, completaria: "aliás, que porcaria é essa, Libânio?".


"Claro que nem tudo no presente merece ser vivido. Recorremos então à experiência e à ciência, que nos oferecem luzes para entender o que está a acontecer, e a discernirmos o que fazer".

Já dizia alguém que, quando nos falta Deus como absoluto, nós passamos a incensar um falso absoluto. Neste caso, recorreu-se à experiência e à ciência. Mas, quem recorre à experiência, recorre, por força, ao passado, a uma espécie de tradição. Portanto, parece que não é qualquer passado que devemos recusar, mas somente o passado religioso. Objetar-se-á que, no caso da experiência, a história surge como um instrumental para a leitura e interpretação do presente. No entanto, para Israel, a lembrança da Aliança servia-lhes também para ressignificar o presente, isto é, lhe dar um sentido específico que, por sua vez, fundamentava neles a esperança da futura libertação. Porém, a diferença mais significativa para Libânio parece estar no fato de que, enquanto os ateus se atêm absolutamente ao processo histórico, o cristão volta ao seu olhar para Aquele que está além da história e que de lá pode intervir no nosso meio. Ser cristão é ter uma abertura ao transcendente. Eis o que ele acusa de alienação. Ao contrário, ele parece defender que deveríamos esperar toda e qualquer redenção como proveniente de nós mesmos, do próprio processo histórico, numa fátua auto-suficiência que tem sido, durante toda a história, o grande motivo do mal no mundo. Pobre Libânio...


"Desalojemos a esperança, como fonte de infelicidade. Ela adia para amanhã um prazer a ser vivido hoje. Posterga o bem porque não pode realizá-lo ou desconhece a história a vir. Pura ilusão. Então nos resta somente o presente conhecido, no qual escolhemos o que nos traz felicidade."

Se não temos esperança, esquecendo, para isto, o futuro, desistimos do céu e de Deus. Relativizamos a Cruz do Senhor e O negamos de modo muito mais radical do que ousou fazer o temeroso Pedro, naquela sombria noite. Na verdade, a esperança é a resposta coerente à fé. Esta nos diz que estamos exilados e, por isso, elevamos os nossos olhares à espera dAquele que virá. Tudo isto lança luz sobre o agora e lhe dá verdadeiro sentido, assim como é pela luz do sol que, embora exterior à Terra, distinguimos visivelmente os objetos. É, pois, pela fé e pela esperança que fundamentamos a nossa fidelidade. Um marido que abandona a esperança de encontrar sua mulher à noite, após sair do trabalho, e se apega, ao contrário, às possibilidades de adquirir prazer no seu absoluto presente, não será fiel. Libânio está recomendando a traição e o egoísmo cru. Em última instância, está a pedir que o homem se dê a todo e qualquer prazer que lhe apareça à frente.

Chamando o objeto da esperança cristã de ilusão, este padre se comporta como um pobre materialista ateu. Ao dizer que é no presente que escolhemos o que nos traz felicidade, ele recomenda-nos ceder a todos tipos de pecados e vícios, num "livre exame" do bem. Na verdade, é para o egoísta que só importa o prazer imediato; ele perde de vista o contexto, visando somente o que pode, no momento presente, lhe proporcionar gozo, não importando se isto fere algum valor. O egoísta, então, desconhece a idéia do sacrifício e da mortificação. Ele não sabe esperar e, portanto, é marionete de seus desejos, mesmo os mais baixos. A história humana o demonstra à exaustão.

Além de todo este problema, dizer que somos nós que escolhemos o que nos traz felicidade, nos faz excluir, nesta afirmação teletubiana, a existência objetiva do bem, da verdade e da beleza; sumimos com a essência humana, com a sua vocação dada por Deus e desembocamos num subjetivismo e utilitarismo mesquinhos. Pobre Libânio...


"A liberdade humana percebe, dentro da história e nunca fora dela, um excesso que nos impele para a frente."

Destaco a expressão "dentro da história e nunca fora dela". Há aí como uma expulsão de toda e qualquer transcendência; um grito revoltado de "nós nos bastamos!". Juro que deu uma vontade de dizer, agora: "Vade retro" por vislumbrar, por trás da sentença, uma sombra suspeita.

Ainda que ele diga que há valores que nós não inventamos, fazer estes valores descenderem daqui mesmo é reduzi-los, forçosamente, a alguma coisa cultural, consensual, despojando-os do seu fundamento ontológico que, naturalmente, se encontra para além do tempo.


"Não faz falta nenhuma transcendência além da história".

Libânio, por certo, não leu Sartre. Ali está exposto, de um modo visceral, o absurdo de uma existência que, ausentada do seu Criador, perde a sua razão de ser, carecendo de qualquer finalidade. Fechar-se na história, recusando toda a parte do real que está para além dela, é asfixiar-se espiritualmente, é tornar-se míope, é renunciar à altíssima dignidade da alma humana que descende do alto e cuja natureza é, no dizer de Dom Estêvão Bettencourt, essencialmente um clamor a Deus.


"A civilização ocidental, ao longo dos séculos, está a preparar tal caminho. Cabe-nos trilhá-lo".

Só posso dizer a este sacerdote Jesuíta: "É uma pena.. mas vá só."

***

Alguém poderá dizer que nesta série "Caminhos da Existência", o Pe. Libânio apenas pretende expor diversos modos de se viver, alternativos àquele propriamente cristão. Ainda que fosse o caso, o folheto litúrgico da Santa Missa não é o lugar. O modo como o referido sacerdote elogiou este caminho - que é evidentemente falso -, sem criticá-lo ou fazer-lhe ressalvas - o que seria o mínimo - também denota simpatia com a causa. Além disto, como expoente da Teologia da Libertação, a suspeita de que o padre sinceramente acredite em tudo quanto elogiou e recomendou - notemos o "cabe-nos trilhá-lo" - se torna muito fundamentada.

Por fim, não posso deixar de notar o que vai no rodapé do folheto: "Texto litúrgico (rsrs) publicado com a autorização da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)". Como não sou o Olavo de Carvalho, expresso com moderação a minha indignação, e termino por aqui. Que Deus nos acuda.

Fábio.

Devemos sondar a fundo os verdadeiros valores em jogo


"Há ainda, finalmente, uma terceira espécie de homens levianos: é a dos que, embora dotados de uma aspiração moral consciente, não se dão ao incômodo de sondar a fundo o que é que verdadeiramente está em causa em cada uma de suas decisões: o que diz a opinião pública, o que lhes recomenda um conhecido, o que pelo costume se lhes afigura correto - é quanto basta para os levar a tomar posição num assunto. Não compreendem que a gravidade da questão de saber se damos ou não aos valores uma resposta adequada, exige absolutamente, antes da decisão, um efetivo esclarecimento sobre os verdadeiros fundamentos dos valores em jogo. A despeito da sua boa vontade, afirmam e negam antes de terem realmente escutado a voz dos valores"

Dietrich Von Hildebrand, Atitudes Éticas Fundamentais, Senso de Responsabilidade.

***

O trecho acima tem implicâncias profundas. Se o leitor, por acaso, passou-lhe simplesmente a vista, eu recomendo que volte a lê-lo atentamente, pois muita gente, hoje, é cativa dessa "irresponsabilidade". Recomendo, ainda, a leitura deste livro, que pode ser baixado aqui.

Prêmio Imprensa Maria Mariá - Agradecimentos

Bom, quero, enfim, agradecer direito pelo fato de termos ganho o Prêmio Imprensa Maria Mariá. A cerimônia de entrega aconteceu ontem, com uma estrutura que estava bem além do esperado.


Como nas minhas palavras de ontem, na hora do recebimento do Troféu Imprensa, quero agradecer, antes de tudo, a Nosso Senhor que é a razão deste nosso trabalho de apostolado. Ele, que é o autor da nossa existência e de tudo quanto de bom podemos ter, é ainda Aquele que nos inspira e motiva a alimentar frequentemente este blog. Tudo o que, ao contrário, não puder ser visto, neste espaço, como um suspiro de amor pelo Verbo divino, que seja tido como irrelevante e digno de desprezo.

Em seguida, quero agradecer ao Clesivaldo Mizael, que foi quem concebeu por primeiro toda a idéia do evento. Realmente, repito uma terceira vez, uma idéia muito feliz e que vem valorizar o nosso esforço e empenho, enquanto blogueiros e difusores de saberes. Além do seu mérito de idealizador do Prêmio, merece ainda dignos elogios pela belíssima organização, não só da noite de ontem, objeto maior das nossas expectativas e, naturalmente, termo de todo este processo, mas também pelo trabalho no percurso destes, se não me engano, três meses.

Eu, na hora do recebimento do Troféu Imprensa Maria Mariá
Este foi um evento que, sem dúvida, extrapolou o âmbito municipal, tendo sido repercutido a nível estadual - talvez até nacional - e fazendo com que a cidade de União dos Palmares, mais uma vez, apareça neste cenário mais amplo como um centro irradiador de cultura e conhecimento. Nossa cidade já é bastante conhecida tanto pela sua história, pelos seus negros, pelas suas lutas, pela Serra da Barriga, como pelos seus poetas e escritores, como Jorge de Lima, Maria Mariá, dentre outros tantos nomes que honram este lugar. Mas é também um expoente a nível nacional pelo seu potencial matemático e pelo seu altíssimo nível artístico. E agora, novamente, União se faz ver a partir do trabalho de homens, mulheres, meninos e meninas que, com seus blogs e sites, tratando de política, religião, poesia, história, se destacam como seres pensantes, formadores de opinião e protagonistas destes diversos discursos.


Antes de ir ao evento, eu ficava pensando nisso tudo. E fiz uma interessante analogia desta nossa cidade, localizada no interior de Alagoas, um estado conhecido pelo seu alto nível de analfabetismo e violência e que tende a ser visto, de modo muito frequente, e sob lentes preconceituosas, como um lugar de gente atrasada. De fato, a educação no Estado não é mesmo das melhores. Mas eu lembrava que, há dois mil anos, algo semelhante foi dito de uma cidadezinha na Galiléia, chamada Nazaré: "Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?" E, no entanto, foi lá onde viveu a Virgem Maria e Nosso Senhor Jesus Cristo nos seus primeiros trinta anos. Se alguém, hoje, perguntar ironicamente: "Pode vir alguma coisa de União?", dentre outras coisas, poderemos apresentar-lhes a nossa história, os nossos músicos, os nossos poetas, intelectuais e, por que não, os nossos blogueiros.

A fotógrafa do GRAA, a Rafaely, tava tão emocionada que a foto saiu  assim.
Voltando ao evento, agradeço também a todos os demais concorrentes das diversas categorias. Aquilo que eu dizia ontem, na minha curta fala, de que eu me senti honrado de fazer parte desta festa, não foi mera demagogia. De fato, fiquei muito feliz em estar concorrendo com tanta gente boa e inteligente. Algum tempo atrás, uns amigos nos acusavam, a nós católicos, de uma certa subestimação dos demais, como se os víssemos de cima para baixo. Isto absolutamente não é verdade. De fato, como católicos, sustentamos a idéia da vocação universal dos homens à religião cristã. Isto significa dizer que, em nosso discurso, todos os que não têm um catolicismo prático andam como que fora dos trilhos. Mas isto não significa, de modo algum, que nos sintamos superiores; diríamos que nos sabemos mais felizes, talvez. Portanto, a honra da qual eu afirmei estar animado pelo evento de ontem foi muito verdadeira. Alguns outros, ainda, nos criticam porque não participamos de certos outros acontecimentos, e isto lhes parece reafirmar o nosso senso de superioridade ou, também, a nossa alienação. Se não participamos de certas coisas, isto pode ser por falta de tempo - o que é muito comum - ou, ainda, por não partilharmos de certas ideologias, muito frequentes como pano de fundo de certas mobilizações. Mas isto, mais uma vez, não faz que nós, Anjos de Adoração, cultivemos qualquer sentimento de sobrestimação de nós mesmos. Eu, particularmente, posso me dizer fã de certos personagens deste nosso meio cultural, e ficaria imensamente feliz de partilhar um trabalho contínuo com estes. Portanto, quero realmente elogiar - de coração, Deus o sabe - a todos os que fizeram parte desta festa belíssima, e dizer, mais uma vez, que nos sentimos honrados, compreendendo que o nosso trabalho - do GRAA - é, ainda, modesto, reconhecendo, ao mesmo tempo, o empenho e o valor de todos estes que concorreram ao prêmio. Todos nós, participantes, podemos nos dizer vencedores, pois este evento deu-nos visibiliade, e é isto, talvez, o que precisamos para que a eficácia do que fazemos se estenda mais e mais.

Percebam o nosso talento para fotografias. Não é fácil dar esse efeito levemente embaçado...

Quero, também, agradecer aos nosso votantes. É claro que, sem vocês, o blog não teria vencido. Eu não me envergonho, de nenhum modo, de ter feito campanha. Fiz mesmo! E isto, penso, demonstrou também como valorizei todo este trabalho. E quero agradecer, imensamente, aos que escolheram o nosso blog. Mesmo aquelas pessoas de tão longe. Este prêmio é, também, para todos vocês. Isto nos estimula a, dentro deste serviço primeiro a Nosso Senhor, querer melhorar a qualidade do que fazemos para que, também vocês, possam se beneficiar. Como já sabem, a nossa proposta com este blog pode ser resumida em dois pontos: a glória de Deus e a salvação das almas. Ambas enveredam pela defesa sistemática da Santa Igreja, tão difamada hoje em dia, tão caluniada por quem não se deu ao esforço de fazer mais do que assistir o Super Pop ou frequentar aulas de cursinho pré-vestibular. É por isto que fazemos circular textos, sejam espirituais - que é a nossa tônica, pois somos um grupo contemplativo - sejam filosóficos, teológicos, históricos, poéticos, e até, vez ou outra, jornalísticos. Então, mais uma vez, obrigado. Deus os abençoe profusamente e que tudo isto sirva para Sua maior glória e para a promoção da Sua Igreja, a Católica Apostólica Romana - dizemos sem medo e sem escrúpulos. Somos inimigos do falso irenismo, aquela falsa paz e concórdia que se adquire em detrimento da clareza com a verdade.

Agradecemos, ainda, aos que compuseram o Juri Acadêmico e que, após diligente exame dos blogs, premiaram também este nosso sítio virtual. A partir desta premiação, estarei mais atento e cuidadoso com estas questões de layout. Eu mesmo considero meio excessivo a quantidade de informações que ponho na lateral. E foi, sobretudo, a notícia de que seria avaliado também neste aspecto, que me fez pensar nestes pontos. Mas, muito obrigado pela vossa escolha que nos concedeu o Selo Imprensa da Liberdade. Que Deus os abençoe e que a Virgem Maria os conduza e os converta ^^.

E agradeço, por fim, ao Grupo de Resgate Anjos de Adoração que, de modo algum, é feito só por mim. Como os amigos podem ver, sou eu quem faz a imensa maioria das postagens; quase a totalidade delas. Mas, de nenhum modo esgoto o grupo. Hoje somos nove integrantes e é por eu estar com eles, meus amigos irmãos, íntimos de combates, conhecedores de minhas mazelas e virtudes, com quem posso contar a toda hora e com quem aprendo tanto; é por estar entre eles que posso vir aqui e estudar, e ler, e escrever, e transcrever, e parodiar, e ironizar e falar bobices, às vezes. Eu posso dizer que tudo o que sou, devo à Santa Igreja. E, dentro disto, estes meus irmãos de caminhada têm um papel fundamental. A gente se empurra, a gente se levanta, a gente se abraça, a gente se compreende, a gente se corrige, a gente se ensina. Portanto, estes prêmios que recebemos vão para todos os que fazem o grupo. Obrigado por me permitirem cuidar deste espaço. É uma alegria poder estar entre vocês. Que Deus nos conduza à santidade.

Enfim, termino dizendo que fiquei imensamente feliz pela premiação e entendendo que este evento foi, sobretudo, uma valorização do nosso trabalho enquanto blogueiros palmarinos, uma confraternização entre os diversos sujeitos difusores do saber nestas bandas interioranas de Alagoas; em suma, uma união, como o sugere o nome da nossa cidade, entre estes que são, como já dizia alguém, não o futuro, mas o presente do Brasil.

Nesta foto, eu em um êxtase após a treva divina de Pseudo Dionísio Areopagita
ter se fundido com a Lumen Gloriae num movimento retilíneo uniforme na vertical
disparado pelo mindinho da mão direita do corpo glorioso de Jesus que repousava no centro do 3º céu


Que Deus nos abençoe e que a Virgem nos guarde.

Pax.

Fábio.

Ainda sobre os videntes - Vaticano impõe voto de silêncio


"Católicos que afirmarem ter testemunhado “aparições” da Virgem Maria terão que se submeter a um voto de silêncio sobre o fenômeno até que ele seja devidamente investigado pelo Vaticano, segundo um conjunto de novas diretrizes a serem encaminhadas a bispos e dioceses do mundo inteiro.

As supostas aparições passarão a ser examinadas por comitês de dioceses, formados por exorcistas, teólogos e psiquiatras.

A decisão foi divulgada pelo jornal católico online Petrus, dedicado ao pontificado do papa Bento 16. O diário antecipou alguns detalhes da ordenança papal que atualiza regras determinadas em 1978. Serão investigadas alegações de aparições da Virgem Maria, de santos, de Jesus Cristo e “fenômenos” como estátuas que derramam lágrimas de sangue e o surgimento de chagas no corpo. A Santa Sé está preocupada com a divulgação de mensagens inconsistentes que poderiam causar desorientação nos fiéis."

Leia o artigo inteiro aqui: Da Mihi Animas Coetera Tolle

***

Friso a expressão: Voto de Silêncio. Naturalmente, o sr. Cláudo Heckert não quererá se submeter... Penso que ele dirá algo do tipo: "A Virgem Maria não me permite. Amém?!" E, desse modo, ficará ainda mais evidente - porque já é evidente - o caráter subversivo e enganador desse negócio. Cumpre dizer que, a partir desta determinação do Vaticano, convém decidir a quem aderir. Se o Sr. Cláudio se negar à obediência, apenas mostrará às claras a origem dessas aparições. Também o "vidente" Marcos Tadeu, que tem feito fama do mesmo jeito, se verá "prejudicado" na sua brincadeira de mediador. Vejamos se ele aceita ficar calado. 

Porém, o Sr. Cláudio Heckert é ainda um caso particular, porque, além de afirmar manter essas comunicações sobrenaturais com a Virgem, o Arcanjo Miguel e Jesus, ele ainda divulga a data precisa do fim do mundo, descreve minuciosamente os acontecimentos que se darão até lá e faz circular - cara de pau não tem limites - os mapas do planeta posteriores às tragédias causadas por grandes asteróides que, após chocarem-se à terra, mudarão drasticamente - segundo ele - a sua geografia. 

Além desta proibição atual do vaticano que imporá ao senhor Cláudio Heckert o voto de silêncio - aliás, muito bem vindo -, já pesavam sobre toda essa brincadeira dele, três graves declarações da Igreja. A primeira delas, é dada pelo próprio Jesus Cristo: "Não vos compete saber o dia nem a hora que o Pai fixou em Seu poder" e, ainda "o Filho do Homem virá como um ladrão, no momento em que menos esperardes". Misteriosamente, o "Gesus" que o Sr. Cláudio diz aparecer pra ele, parece sustentar outra idéia.

Além disto, a Igreja declarou num Concílio regional de Milão em 1365:

"Não apregoem como coisas certas a época da vinda do Anticristo e a data do juízo final, já que pelos lábios do Senhor foi dito: "Não toca a vós ter conhecimento dos tempos e momentos". Nem ousem, a partir das Escrituras Sagradas, procurar adivinhar o futuro e indicar determinado dia para determinado acontecimento. Também não afirmem temerariamente ter-lhes sido isso revelado por Deus."

E ainda no 5º Concílio Universal de Latrão, em 1516, diz a Igreja:

"Mandamos a todos os que estão, ou futuramente estarão, incubidos da pregação, que de modo nenhum presumam afirmar ou apregoar determinado juízo. Com efeito, a Verdade diz: "Não toca a vós ter conhecimento dos tempos e momentos que o Pai fixou por Sua própria autoridade". Consta que os que até hoje ousaram afirmar tais coisas mentiram e, por causa deles, não pouco sofreu a autoridade daqueles que pregam com retidão. Ninguém ouse predizer o futuro apelando para a Sagrada Escritura, nem afirmar o que quer que seja, como se o tivesse recebido do Espírito Santo ou de revelação particular, nem ouse apoiar-se sobre conjeturas vãs ou despropositadas. Cada qual deve, segundo o preceito divino, pregar o Evangelho a toda criatura, aprender a detestar o vício, recomendar e ensinar a prática das virtudes, a paz e a caridade mútua, tão recomendada por nosso Redentor."

Sr. Cláudio Heckert, é um conselho: fica quieto...

Só pra terminar; enquanto o Cláudio diz saber como e quando será o fim, o Marcos Tadeu diz que Maria nunca lhe revelou isso; ao contrário, parece que ela diz não saber. Vi isso em algum lugar, na época em que eu tava estudando sobre esse povo.

E aos que ainda se deixam engabelar por isso, repito o que disse Nosso Senhor aos discípulos de Emaús: "Sejam mais inteligentes" (Lc 24,25)

Salve Maria Santíssima.

Fábio.
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