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I "Consagra-te" com o Pe. Paulo Ricardo


Neste encontro, que acontecerá em Várzea Grande-MT (ao lado de Cuiabá), o Pe. Paulo Ricardo estará pregando sobre a "Consagração Total à Santíssima Virgem" tal como nos propõe S. Luís Maria Grignion de Montfort no seu Tratado da Verdadeira Devoção.

Para maiores informações clique aqui.

Dom Estêvão Bettencourt e o Magistério da Igreja sobre as Profecias para o fim do mundo


Dom Estêvão Bettencourt

Aos apóstolos que perguntavam quando se consumariam as suas expectativas messiânicas, respondeu o Senhor:

"Não toca a vos ter conhecimento dos tempos e momentos que o Pai fixou por Sua própria autoridade" (At 1,7)

E a Igreja deseja que se respeite o plano divino de deixar oculta aos homens a época da parusia, admoesta a que não se pergunte, mais ou menos futilmente, à fantasia humana o que o próprio Deus explicitamente Se recusou revelar. Diante de tudo o que se tem propalado sobre o assunto, ela será sempre um baluarte de paz, exortando os homens a que, sem se deixar perturbar por "rumores", se empenhem com zelo por fazer a cada momento o que é, certa e indubitavelmente, da vontade de Deus. Foi para assegurar essa tranquilidade de alma que a Igreja mais de uma vez se viu obrigada a se pronunciar contra os pregadores de "novidades".

Vão aqui transcritos duas declarações do Magistério da Igreja dirigidas aos que anunciam a doutrina do Evangelho.

Um Concílio regional de Milão em 1365 assim admoestava:

"Não apregoem como coisas certas a época da vinda do Anticristo e a data do juízo final, já que pelos lábios do Senhor foi dito: "Não toca a vós ter conhecimento dos tempos e momentos". Nem ousem, a partir das Escrituras Sagradas, procurar adivinhar o futuro e indicar determinado dia para determinado acontecimento. Também não afirmem temerariamente ter-lhes sido isso revelado por Deus."

O 5º Concílio Universal de Latrão, em 1516, decretou:

"Mandamos a todos os que estão, ou futuramente estarão, incubidos da pregação, que de modo nenhum presumam afirmar ou apregoar determinado juízo. Com efeito, a Verdade diz: "Não toca a vós ter conhecimento dos tempos e momentos que o Pai fixou por Sua própria autoridade". Consta que os que até hoje ousaram afirmar tais coisas mentiram e, por causa deles, não pouco sofreu a autoridade daqueles que pregam com retidão. Ninguém ouse predizer o futuro apelando para a Sagrada Escritura, nem afirmar o que quer que seja, como se o tivesse recebido do Espírito Santo ou de revelação particular, nem ouse apoiar-se sobre conjeturas vãs ou despropositadas. Cada qual deve, segundo o preceito divino, pregar o Evangelho a toda criatura, aprender a detestar o vício, recomendar e ensinar a prática das virtudes, a paz e a caridade mútua, tão recomendada por nosso Redentor."

Textos encontrados em Huerter, Theologiae Dogmaticae Compendium III nº 694 em nota. Veja-se também Hefeli - Le clerq, Histoire des Conciles VIII 1. Paris 1917, 526.

Dom Estêvão Bettencourt, A Vida que Começa com a Morte.

Há 75 anos, morria o grande G. K. Chesterton


Hoje, dia 14 de junho, completam-se os 75 anos desde a morte deste homem, grande no tamanho, grande na bondade, grande na inteligência; de fato, um dos maiores pensadores do Sec. XX. Considerado o Apóstolo do Senso Comum, creio firmemente que Chesterton é leitura obrigatória nos dias de hoje, sobretudo porque é um tempo das maiores bizarrices e da grande promoção das teorias mais fajutas e dos sistemas filosóficos mais falsos e cafajestes; em suma, dias de uma grande mediocridade intelectual que, justamente por ser mediocridade, é tida como qualquer coisa que preste e aplaudida aos quatro cantos, nas academias, nos jornalecos, nas mesinhas de bar onde se juntam os pseudos de toda conta. Faço o meu apelo do modo mais veemente que posso: Leiam G.K Chesterton. E Leiam-no urgentemente!

Visitem o blog do Prof. Angueth, um dos homens que mais contribuem para a difusão do pensamento deste gigante ignorado por quem não lhe seria páreo sequer para o mindinho do pé. E se acham que exagero, leiam Chesterton e constatem! 

Grandeza - Prof. Orlando Fedeli


Ter o olhar voltado para as claras estrelas
Não temer as duras batalhas, mas querê-las.

Águia fitando o sol, viver para as alturas,
desprezando as coisas baixas, vis e obscuras.

Amar só os horizontes vastos e azuis.
Odiar os negros charcos e os mortos pauis.

Ter a alma sem medo, covardias, tremores,
valente e forte como o rufar dos tambores.

Ter na alma claras notas de clarins de prata,
e nos lábios um canto ardente que arrebata.

Ser impelido pelos ventos da epopéia,
longe das calmarias podres de vida atéia.

Entre nuvens de fumo, de ódio e de poeira,
ousada e desafiante, desfraldar bandeira.

Qual falcão atacar, desprezando o perigo,
tendo olhos só para Deus e para o inimigo.

Não temer jamais nem as armas, nem as vaias,
nem o combate franco, nem as vis tocaias.

E, não fugindo nem da arena, nem do sorriso.
ver, na morte e cruz, as portas do Paraíso.

Jamais calcular o número do inimigo.
Mas contar só com Deus, com Santiago e consigo

Por justo combater, mesmo que solitário,
sem ver o número, enfrentar o adversário.

Viver abrasado de amor pela verdade,
Encantado pela beleza e poesia,
mantendo no coração a fidelidade
aos ecos longínquos de uma canção bravia.

Escutar, escutar sempre os clarins de glória,
chamando ao combate, proclamando a vitória.

Amar a solidão do deserto ou do mar
ser fiel até a morte e jamais capitular.

Não temer ser desprezado e tido por nada,
não querer senão o triunfo da cruzada.

Ter uma alma agressiva que não retroceda.
Não ter no coração nem baixeza, nem lama,
mas de heroísmo, ser ardente labareda,
ser da verdade arauto, da pureza, chama.

Viver sempre enamorado pela proeza,
a alma sempre firme ancorada na certeza
sedenta de Deus, de infinito e de grandeza.
Orlando Fedeli
São Paulo, 1975


***
Que saudades do professor...

S. João da Cruz aos curiosos ávidos de comunicações sobrenaturais, sejam carismáticos ou ingênuos crédulos de vidências sem fim

Srs. Cláudio Heckert e Ironi Spuldaro, vou orar em línguas: Shut Up!

S. João da Cruz, Doutor da Igreja, Místico

Declara-se por que não é lícito, sob a lei da graça, interrogar a Deus por via sobrenatural, como o era na lei antiga. Prova-se com uma citação de S. Paulo.

No capítulo anterior dissemos como não é vontade de Deus que as almas queiram receber por via sobrenatural graças extraordinárias de visões, palavras interiores, etc. Por outra parte vimos nesse mesmo capítulo, e o provamos com testemunhos da Sagrada Escritura, como na antiga lei este modo de tratar com Deus era usado e lícito; e não somente era lícito, mas ainda o próprio Deus o mandava, repreendendo o povo escolhido quando o não fazia. Em Isaías, podemos observar como Deus admoestou os filhos de Israel porque desejavam descer ao Egito sem primeiramente consultar o Senhor: "E não tendes consultado o meu oráculo" (Is 30,2)

Também lemos em Josué que, sendo enganados os mesmos filhos de Israel pelos gabaonitas, censurou-os o Espírito Santo nestes termos: "Tomaram os israelitas dos seus víveres, e não consultaram o oráculo do Senhor" (Js 9,14). Igualmente vemos, na Sagrada Escritura, que Moisés sempre consultava o Senhor, e o mesmo fazia o rei Davi, e todos os outros reis de Israel em suas guerras e necessidades, bem como os sacerdotes e antigos profetas. Deus lhes respondia falando-lhes sem se desgostar. Assim era conveniente e se eles não interrogassem seria mal feito. Qual o motivo, pois, de não ser agora, na nova Lei da graça, como era antigamente?

Respondo: se essas perguntas feitas a Deus eram lícitas na antiga Lei, e se convinha aos profetas e sacerdotes desejarem visões e revelações divinas, a causa principal era não estarem bem assentados os fundamentos da fé, nem estabelecida a Lei evangélica. Assim era mister interrogar a Deus e receber as suas respostas, fosse verbalmente, ou por meio de visões ou revelações, fosse em figuras ou símbolos, ou, afinal, por sinais de qualquer outra espécie. Porque todas essas palavras e revelações divinas eram mistérios da nossa fé, referentes ou relacionadas a ela. Ora, não sendo as realidades da fé próprias da criatura humana, mas de Deus, reveladas por sua própria boca, era necessário que os homens fossem conhecê-las em sua mesma fonte. Eis porque o Senhor os repreendia quando não o consultavam; e com as suas respostas os encaminhava, através dos acontecimentos e sucessos, para a fé, por eles ainda desconhecida por não estar ainda fundada. Agora, já estabelecida a fé em Cristo, e a Lei evangélica promulgada na era da graça, não há mais razão para perguntar daquele modo nem aguardar as respostas e os oráculos de Deus, como antigamente. Porque em dar-nos, como nos deu, o seu Filho, que é a sua Palavra única (e outra não há), tudo nos falou de uma vez nessa Palavra, e nada mais tem para falar.

Este é o sentido do texto em que S. Paulo quer induzir os hebreus a se apartarem daqueles primitivos modos de tratar com Deus conforme a lei de Moisés, e os convida a fixar os olhos unicamente em Cristo, dizendo: "Tudo quanto falou Deus antigamente pelos profetas a nossos pais, de muitas formas e maneiras, agora, por último, em nossos dias, nos falou em seu Filho, tudo de uma vez" (Hb 1,1). O Apóstolo dá-nos a entender que Deus emudeceu por assim dizer, e nada mais tem para falar, pois o que antes falava por partes aos profetas, agora nos revelou inteiramente, dando-nos o Tudo que é seu Filho.

Se atualmente, portanto, alguém quisesse interrogar a Deus, pedindo-lhe alguma visão ou revelação, não só cairia numa insensatez, mas agravaria muito a Deus em não pôr os olhos totalmente em Cristo sem querer outra coisa ou novidade alguma. Deus poderia responder-lhe deste modo dizendo: "Se eu te falei já todas as coisas em minha Palavra, que é meu Filho, e não tenho outra palavra a revelar ou responder que seja mais do que ele, põe os olhos só nele; porque nele disse e revelei tudo, e nele acharás ainda mais do que pedes e desejas. Porque pedes palavras e revelações parciais; se olhares o meu Filho acharás nele a plenitude; pois ele é toda a minha palavra e resposta, toda a minha visão, e toda a minha revelação. Ao dar-vo-lo como irmão, mestre, companheiro, preço e recompensa, já respondi a todas as perguntas e tudo disse, revelei e manifestei. Quando no Tabor desci com meu espírito sobre ele dizendo: "Este é meu Filho amado em quem pus todas as minhas complacências, ouvi-o" (Mt 17,5), desde então aboli todas as antigas maneiras de ensinamentos e respostas, entregando tudo nas suas mãos. Procurai, portanto, ouvi-lo; porque não tenho mais outra fé para revelar, e nada mais a manifestar. Se antes falava, era para prometer o meu Cristo; se os meus servos me interrogavam, eram as suas perguntas relacionadas com a esperança de Cristo, no qual haviam de achar todo o bem (como o demonstra toda a doutrina dos evangelhos e dos apóstolos). Mas interrogar-me agora e querer receber minhas respostas como no Antigo Testamento, seria de algum modo pedir novamente Cristo e mais fé; tal pedido mostraria, portanto, falta desta mesma fé já dada em Cristo. E assim seria grande agravo a meu amado Filho, pois, além da falta de fé, seria obrigá-lo a encarnar-se novamente, vivendo e morrendo outra vez na terra. Não acharás, de minha parte, o que pedir-me nem desejar, quanto a revelações ou visões; considera-o bem e acharás nele, já feito e concedido tudo isto e muito mais ainda.

Queres alguma palavra de consolação? Olha meu Filho, submisso a mim, tão humilhado e aflito por meu amor, e verás quantas palavras te responde. Queres saber algumas coisas ou acontecimentos ocultos? Põe os olhos só em Cristo e acharás mistérios ocultíssimos e tesouros de sabedoria e grandezas divinas nele encerrados, segundo o testemunho do Apóstolo: "Nele estão encerrados os tesouros da sabedoria e da ciência" (Cl 2,3). Esses tesouros da sabedoria ser-te-ão muito mais admiráveis, saborosos e úteis que tudo quanto desejarias conhecer. Assim glorificava-se o mesmo Apóstolo quando dizia: Porque julguei não saber coisa alguma entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado (1Cor 2,2). Enfim, se for de teu desejo ter outras visões ou revelações divinas, ou corporais, contempla meu Filho humano e acharás mais do que pensas, conforme disse também S. Paulo: "Porque nele habita toda a plenitude da divindade corporalmente" (Cl 2,9).

Não convém, pois, interrogar a Deus por via sobrenatural, nem é necessário falar-nos desse modo; tendo manifestado toda a fé em Cristo, não há mais fé a revelar nem jamais haverá. Querer receber conhecimentos por via extraordinária é, conforme dissemos, notar falta em Deus, achando não nos ter dado bastante em seu Filho. Mesmo quando se deseja essa via sobrenatural dentro da fé, não deixa de ser curiosidade proveniente de fé diminuta. Assim não havemos de querer nem buscar doutrina ou outra coisa qualquer por meio extraordinário. Quando Jesus expirando na cruz exclamou: "Tudo está consumado" (Jo 19,30), quis dizer terem-se acabado todos esses meios, e também todas as cerimônias e ritos da Lei antiga. Guiemo-nos, pois, agora pela doutrina de Cristo-homem, de sua Igreja e seus Ministros, e por este caminho, humano e visível, encontraremos remédios para nossas ignorâncias e fraquezas espirituais, pois para todas as necessidades aí se acha abundante remédio. Sair desse caminho não só é curiosidade, mas muita audácia; não havemos de crer, por via sobrenatural, senão unicamente o que nos é ensinado por Cristo, Deus e homem, e seus ministros, homens também. É isto o que nos diz S. Paulo nestas palavras: se algum anjo do céu vos ensinar outra coisa fora do que nós, homens, vos pregamos, seja maldito e excomungado (Gl 1,8).

S. João da Cruz, Subida ao Monte Carmelo, Livro II, Cap. XXII

Prêmio Imprensa Maria Mariá - Votem em nós!


Pessoal, vi agorinha mesmo que o blog do Anjos de Adoração está concorrendo - e não me disseram rsrs - a um tal de "Prêmio Imprensa Maria Mariá" e que eu, pra falar a verdade, não sei bem do que se trata. rsrsrs... Mas gostei da idéia; é como um concurso (não sei se é bem esse nome) de blogs aqui da cidade. Estamos concorrendo na categoria de blog religioso. Então, gostaria de pedir aos que por aqui passam que, se possível for, passem lá também e votem neste blog. Cliquem na imagem do post para irem ao site. Agradeço ^,^

A Virgem Santíssima e o despertar divino na alma


Bom, termino com esta as citações deste grande livro que acabo de ler, entitulado Ascensão para a Verdade, de autoria do monge trapista Thomas Merton - um dos meus escritores favoritos, digam o que disserem - e que consiste num profundo estudo da mística sanjuanista (referente a S. João da Cruz). Neste último post que faço deste livro, o autor passa a falar da Virgem Santíssima como modelo dos contemplativos e termina fazendo uma transcrição de S. João da Cruz sobre o "despertar de Deus" na alma que caracteriza um dos estados mais altos da vida mística. Depois, farei mais alguns comentários sobre este e outros livros que tratam do Doutor da Noite, bem como do próprio santo, a quem tenho por pai. Boa leitura.

***

Thomas Merton

A Bem-aventurada Virgem Maria foi o mais sábio teólogo. Ela é a Mãe do Verbo que é ao mesmo tempo a teologia de Deus e dos homens. A verdade de Deus entrou tão profundamente em sua vida, que se tornou encarnada em seu seio virginal. Toda a Sabedoria se concentrou em seu Coração Imaculado, sedes Sapientias. Quando o Anjo a visitou na Anunciação, encontrou-a no mais profundo silêncio. Poucas são as palavras recordadas daquela que nos deu o Verbo. E quando ela O deu ao mundo, que poderia fazer ela mesma senão escutá-Lo? "Guardava todas essas palavras conservando-as em seu coração".

E assim Nossa Senhora é o modelo dos contemplativos e o espelho dos místicos. Os que amam a pura Verdade de Deus, instintivamente amam a simplicidade da Imaculada Mãe de Deus. Ela os atrai ao interior do seu silêncio e de sua humildade. Ela é a Virgem da Solidão, que Deus chamou sua eremita: una est columba mea in foraminibus petrae. Ela escondeu-se nas cavernas da pedra, de que nos falava S. João da Cruz, e viveu como um eremita nos sublimes mistérios do seu Filho. Ela viveu todo o tempo no céu, embora andasse sobre a terra, varrendo o assoalho, fazendo cama e cozinhando para os carpinteiros. Que é que acontecia em sua alma inimaginavelmente pura, no espelho sem mancha do seu ser, que Deus fizera para receber a sua perfeita semelhança?

Quando o Anjo falou, Deus acordou no coração dessa moça de Nazaré, e movimentou-se dentro dela como um gigante. Ele mexeu-se e abriu os olhos e viu que ela, ao contê-lo, continha todo o universo também. A anunciação foi tanto uma visão como um terremoto em que Deus moveu o universo e deslocou as esferas, e o princípio e o fim de todas as coisas apareceu aos olhos da Virgem, no mais profundo do coração. E muito abaixo do movimento deste silencioso cataclisma, ela adormeceu na infinita tranquilidade de Deus, e Deus foi uma criança encolhida que dormia em seu seio, enquanto nas suas veias circulava a Sabedoria dessa criança, que é noite, que é luz das estrelas, que é silêncio. E todo o seu ser foi abraçado por Aquele que ela abraçava, e os dois tornaram-se silêncio.

A missão de Nossa Senhora no mundo é formar este seu Cristo, este Gigante, nas almas dos homens, como Ele mesmo se formou na sua. Ela traz-lhes a graça do Cristo, que é a graça da sua presença vivificante. Ele nasce em cada homem pelo batismo, mas nós não o sabemos. Ele cobre a alma com a sua sombra, quando ela O prova na paz da contemplação. Mas isto não basta. No cume da vida mística, Deus deve mexer-se e revela-se, sacode o mundo dentro das almas e surge do seu sono como um gigante.

É isto que nos fala S. João da Cruz na Chama Viva do Amor. É a minha última citação.

"Este despertar é um movimento do próprio Verbo na substância da alma, de tanta grandeza e domínio e glória, e de tão íntima suavidade, que lhe parece que todos os bálsamos e espécies odoríficas e flores do mundo se misturam e agitam, revolvendo-se para dar suavidade, e que todos os reinos e dominação do mundo, e todas as potestades e virtudes do céu se movem. E não só isto, mas também as virtudes e substâncias e perfeições e graças de todas as coisas criadas reluzem e se põem, por sua vez, em movimento uníssono e simultâneo... Donde vem que, movendo-se na alma, este altíssimo Imperador, cujo Reino, como diz Isaías, Ele traz nos seus ombros... então tudo parece mover-se juntamente... Mesmo assim, quando um Palácio é aberto, pode-se ver a um só tempo a eminência da Pessoa que está dentro e o que ela está fazendo... Estando a alma substancialmente em Deus, como toda criatura, Ele tira diante dela alguns dos muitos véus e cortinas que ela tem anteposto, para poder vê-Lo como Ele é, e, assim, se lhe revela, e ela é capaz de ver (embora obscuramente, porque não se tiram todos os véus), esta Face cheia de graça. Como Ele move todas as coisas com a sua virtude, aparece juntamente com Ele aquilo que Ele está fazendo, e Ele parece mover-se nelas e elas n'Ele em movimento contínuo. E é por isto que a alma crê que Deus se moveu e acordou, sendo ela, na realidade, que foi movida e acordada."

Thomas Merton, Sementes de Contemplação

Congregação para o Clero - Sessenta Horas de Adoração Eucarística



Por ocasião do sexagésimo aniversário de Ordenação Sacerdotal do Santo Padre, a Congregação para o Clero fez um pedido, especialmente aos sacerdotes, para que em todas as circunscrições eclesiásticas se ofereça “sessenta horas de Adoração Eucarística” continuadas, ou durante o mês de junho próximo, pela santificação do clero e para obter de Deus o dom de novas e santas vocações sacerdotais.

Abaixo, a carta na íntegra:

**
CONGREGATIO
PRO CLERIS

Vaticano, 13 de maio de 2011
Nossa Senhora de Fátima

Prot. N. 2011 1477

Eminência / Excelência Reverendíssima

No dia 29 de junho próximo, celebrar-se-á o sexagésimo aniversário da Ordenação Sacerdotal do nosso amado Papa Bento XVI, justamente no dia da Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo de 1951.

A ocasião é particularmente propícia para unirmo-nos mais ao Sumo Pontífice, para darmos testemunho da nossa gratidão, afeto, e comunhão no serviço que oferece a Deus e à Igreja. Mas, sobretudo, em sinal de gratidão por aquele "resplendor da Verdade no mundo", que o seu Magistério continuamente realiza.

Em espírito de sobrenatural sobriedade, por ocasião do 60º Aniversário, - e cremos que muito agradará ao Santo Padre - convidamos todas as circunscrições eclesiásticas, esperando uma especial participação dos sacerdotes, a oferecer "Sessenta Horas de Adoração Eucarística", continuadas ou distribuídas no mês de junho próximo, pela santificação do clero e para obter de Deus o dom de novas e santas vocações sacerdotais.

O cume deste percurso de oração poderia coincidir com a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus (Jornada de Santificação dos Sacerdotes), que será no dia 1º de Julho, sexta-feira. Desta forma, presentearíamos o Santo Padre com uma extraordinária coroa de oração e de união sobrenatural, capaz de mostrar o real centro da nossa vida, do qual promana todo esforço missionário e pastoral e a autêntica face da Igreja e dos seus sacerdotes.

Com a certeza que poderemos contar com uma cordial e solícita colaboração de cada um dos Ex.mos Ordinários, em espírito de profunda e permanente comunhão, também neste importante Aniversário, na expectativa de uma sincera adesão despeço-me, enquanto aproveito a ocasião para confirmar os melhores sentimentos de distinto obséquio.

De Vossa Excelência / Eminência Reverendíssima
vev.mo no Senhor

Mauro Card. Piacenza
Prefeito

Celso Morga Iruzubieta
Arcebismo tit. de Alba Marítima
Secretário

Um cristão é assassinado a cada cinco minutos



BUDAPESTE, segunda-feira, 6 de junho de 2011 (ZENIT.org) - A cada cinco minutos, um cristão morre assassinado em razão de sua fé: este é o arrepiante dado difundido pelo sociólogo Massimo Introvigne em sua intervenção na Conferência Internacional sobre Diálogo Inter-Religioso entre Cristãos, Judeus e Muçulmanos, realizada em Gödöllö (Budapeste), promovida pela presidência húngara da União Europeia.


Introvigne, representante da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) para a luta contra a intolerância e a discriminação contra os cristãos, indicou que 105 mil deles são assassinados cada ano por sua fé, contando somente os verdadeiros martírios, os que são levados à morte pelo fato de serem cristãos, sem considerar as vítimas de guerras civis ou entre nações.
"Se não se gritam ao mundo estes números, se não se põe fim a este massacre, se não se reconhece que a perseguição dos cristãos é a primeira emergência mundial em matéria de violência e discriminação religiosa, o diálogo entre as religiões produzirá somente encontros muito bonitos, mas nenhum resultado concreto", declarou o especialista.
No encontro, participaram personalidades importantes, como o presidente dos bispos europeus, cardeal Péter Erdö; o custódio da Terra Santa, Pe. Pierbattista Pizzaballa; o presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, Dom Antonio Maria Vegliò; o arcebispo maronita de Beirute, Paul Matar; o "ministro de Assuntos Exteriores" da Igreja Ortodoxa Russa, metropolitano Hilarion; o representante do Conselho Judaico Europeu, Gusztav Zoltai; o da Organização da Conferência Islâmica, Ömür Orhunn; e o secretário-geral da Comissão para o diálogo islâmico-cristão no Líbano, Hares Chakib Chehab.
O diplomata egípcio Aly Mahmoud declarou que, no seu país, estão por chegar leis que protegerão as minorias cristãs, perseguindo como delito os discursos que incitam ao ódio e vetando as reuniões hostis no exterior das igrejas.
"Mas o perigo - destacou o cardeal Erdö - é que muitas comunidades cristãs no Oriente Médio morrem devido à emigração, porque os cristãos que se sentem ameaçados escaparão."
"Que a Europa se prepare para uma onda de imigração, desta vez de cristãos que fogem das perseguições", advertiu.
Por sua vez, o metropolitano Hilarion recordou que pelo menos um milhão de cristãos vítimas de perseguição no mundo são crianças.
Fonte: Zenit

Ainda sobre as supostas aparições marianas

Pense numa autenticidade...

Andei fazendo umas modestas pesquisas, pois realmente estou de saco cheio desses supostos videntes falando sem parar e se pretendendo os bam bam bam's da mística ou os prediletos dos céus. Esta sede de protagonismo, na verdade, já bastaria para que nos convencêssemos da falsidade destes ludibriadores que ficam explorando a ignorância do povo com falsas previsões e ameaçazinhas, dizendo que quem não está com eles está contra Cristo.

Encontrei dois artigos que podem ajudar bastante a fazer brotar um santo ceticismo no meio católico. Por favor, os que facilmente se impressionam com essas estorietas, não deixem de lê-los.

O primeiro consiste numa carta escrita por Dom Aloísio Lorscheider, sobre visões e revelações particulares, da qual destaco o gracejo: "Além do mais, Maria Santíssima quando esteve aqui no mundo falou tão pouco. Será que se arrependeu e agora está falando pelos cotovelos?" Leiam aqui.

A segunda, trata da preocupação do Papa com estes casos de suposta vidência e as suas orientações para que os bispos saibam como agir quando surgirem relatos semelhantes. Destaco, deste texto a seguinte estatística: "sobre quase 300 pedidos de exame apresentados no último século, as autoridades eclesiásticas atestaram oficialmente como verdadeiras somente uma dezena das aparições." Fica ainda patente, neste artigo, a falsidade de Medjugorje. Leiam aqui.

Fábio.

Os dois elementos da Fé: a Proposição Conceitual e a Luz Infusa


Thomas Merton

O homem foi feito para conhecer a verdade, e a sua salvação consiste em amar a mais elevada Verdade, que não pode ser amada sem ser primeiro conhecida. Mas só há uma espécie de conhecimento que efetivamente confere ao homem a luz necessário a este fim sobrenatural. É o que lhe vem na obscuridade da fé.

Disse o profeta, "a menos que creiais, não entendereis". Só a fé nos pode dar a inteligência nos mistérios de Deus. Mas a fé tem algo a mais. "Sem fé, diz S. Paulo, é impossível agradar a Deus".

Que significa agradar a Deus? Deus agrada-se da alma que encontra cheia da sua realidade, seu amor, sua verdade. Misteriosamente, é conhecendo-O, que agradamos a Deus, pois só podemos conhecer, recebendo no coração a sua luz. A fé, portanto, não só é capaz de penetrar na íntima substância da Verdade de Deus, mas significa um conhecimento redentor. Ela nos "salva". Sua luz é mais do que um raio de especulação: confere a vida, transformando, com a luz e a paz, o ser inteiro do homem, que se torna nova criatura, nasce de novo.

Que vida nova é essa? É a presença substancial de Deus. É antes, uma nova presença de Deus que por seu poder, presença e essência, conserva todas as coisas no ser. Esta nova presença é espiritual. Que significa isso? Já a descrevemos. Deus é presente em sua luz, em seu amor. Pela fé, esperança e caridade, Deus torna-se objeto de uma experiência potencial nas profundezas da alma, já que pela graça Ele confere às faculdades o poder e o desejo de possuí-Lo na íntima consciência de nossa união com Ele por amor. Revela-se o interior da alma como objeto de sua mais profunda espera, e promete, por uma presença obscura, a sua clara visão. Suas promessas nos fazem desejar esta visão. E pelo desejo, abraçamos desde já a visão, embora permaneça ela obscura.

Numa palavra, a fé nos dá mais do que luz, mais do que vida, porque a "luz" que ela nos dá é Deus mesmo e a Vida que nos confere é o próprio ser de Deus, que criou toda vida soprando sobre os abismos, e que se torna o princípio da nossa existência sobrenatural.

Ora, nada disto flui pura e simplesmente do conteúdo conceitual da fé. É coisa que vem diretamente de Deus.

Que conclusão tiramos? Em cada ato de fé, há dois elementos em ação. Primeiro, a fórmula, o complexo conceitual que contém a verdade a que assentimos e que se apresenta à nossa mente como qualquer outro conhecimento intencional: na forma de um juízo. Mas ele não ilumina a mente da mesma forma que o conhecimento ordinário. No plano natural, um juízo conceitual ilumina a mente pela clara evidência que ele contém. No ato de fé, o conteúdo conceitual das proposições não lança por si mesmo nenhuma luz sobre o entendimento. A diferença entre a crença e a descrença não é medida pelo nosso poder de apreender o sentido dos artigos de fé. Um homem pode adquirir grande conhecimento técnico da teologia da Trindade sem crer na Trindade. Um outro sem nenhuma visão dos problemas dogmáticos envolvidos no mistério, pode acreditar nele. Este é aquele a quem Deus "salvou", e que pode ser elevado à contemplação. Assim, pois, em cada ato de fé há um segundo elemento, que é o mais importante: uma luz objetiva e sobrenatural a penetrar nas profundezas da alma e a comunicar-lhe o conteúdo real da verdade que não pode ser plenamente apreendido nos termos da proposição a crer.

Cada um dos dois elementos é absolutamente necessário ao ato de fé viva, porque há uma íntima relação entre eles. Se os artigos de fé fossem meramente uma ocasião para a infusão da luz sobrenatural, então não importaria o que Deus nos propõe a crer. Qualquer conceito serviria por igual. Mas isto significaria que o conteúdo intencional do nosso credo seria sem valor nem sentido. Bastaria ser sincero, e Deus infundiria a luz que o faria conhecido sem nenhuma relação com um corpo de verdades reveladas, de nulo valor objetivo.

A relação entre o conteúdo conceitual da fé, e a luz infusa pela qual Deus nos dá a sua verdade, está no seguinte: a verdade acha-se realmente contida, sob uma forma oculta, nos próprios artigos da fé. E é pela luz da fé que achamos a verdade nesses artigos.

Isso vale para todas as proposições de S. João da Cruz sobre o poder da fé: que ela é o único caminho para a união com Deus, que ela é essencialmente obscura e "esconde" a Deus, mas é ao mesmo tempo pura verdade, perfeita em sua certeza, e nos traz Deus como sob um manto de nuvem.

S. Tomás também aceita a nossa distinção, quando diz que a fé consiste principalmente numa luz infusa, mas que recebe dos vários artigos propostos à nossa crença a determinação a uma verdade particular.

Thomas Merton, Ascensão para a Verdade.

Pe. Fábio do Respeito Humano, CSN (Congregação dos Sem Noção)


Estes dias, alguém me comentava ter lido, neste blog, um comentário que fiz a uma antiga entrevista que o Pe. Fábio de Melo tinha dado no Programa do Jô e na qual ele pouco contribuíra para retirar os equívocos que o corpulento apresentador lançava. Eu dei um risinho - porque sempre me é dolorido criticar um padre - e acrescentei: "mas agora ele está mais quieto".

No entanto, fiquei a saber, já hoje, que o referido sacerdote, talvez com saudades das críticas a lhe ventilar o nome pelos espaços virtuais, fez um infeliz comentário sobre as agitações que têm tomado espaço nesta antiga Terra de Santa Cruz e que tratam de graves questões morais, como a aprovação da união estável entre pessoas do mesmo sexo e, agora, a busca, por parte de militantes gays, da criminalização da crítica - de que tipo for - à prática homossexual.

O Pe. Fábio, com o seu tom meloso de sempre - aparentemente sensato - mais uma vez se absteve de, no exercício do seu trabalho como padre e como apresentador de um programa televisivo supostamente católico, trazer, ainda que de modo mais ameno - vá lá! Ninguém tá pedindo que ele tenha tanta fibra quanto o Pe. Paulo Ricardo - um esclarecimento real sobre o ensino da Igreja nestas questões, como seria, aliás, o seu estrito dever. Ao contrário, Pe. Fábio parece ficar preocupado com o que possam pensar os homossexuais e, por causa disso, fala de questões jurídicas e de mil falaciosas conveniências, fazendo, porém, total abstração daquilo que é o coração da crítica religiosa à prática homossexual: ela constitui pecado grave e ofende o sagrado.

De modo contraditório, Pe. Fábio apela, repetidamente, para o cuidado com a dignidade do outro. Pra este padre, qual seria, então, a motivação que faz a Igreja lutar contra estas leis iníquas? Seria raiva gratuita? Seria capricho? Objetivamente falando, não é a prática homossexual que, neste contexto, mais fere e ofende a dignidade do ser humano? Pe. Fábio sabe mesmo que é padre? E diz que tem conversado com bispos esclarecidos. Ora, o que significará ser esclarecido para ele? Já vimos que a Igreja, com o seu discurso firme e inequívoco, parece se enquadrar, na visão do padre, naquilo que ele chama de "fanáticos". E isto porque a Igreja, para todo católico, é mestra infalível em moral! Para este padre, porém, ela parece ser só uma fanática. Pe. Fábio, portanto, se acha no direito de, enquanto a representa, mudar ou amenizar o seu discurso, substituindo-o pelo seu próprio, supostamente mais "esclarecido".

De fato, pode existir fanatismo, mesmo no meio religioso? É claro que pode! Ninguém aqui está legitimando a agressão a homossexuais ou coisas do tipo. Mas isto não significa que, no exercício da caridade, não se possa e não se deva agir com firmeza! A clareza do discurso é também questão de sinceridade! E estamos aqui, em última instância, a tratar da salvação de milhares de almas. Por isso que, do padre Fábio, como pai de almas que deveria ser, nós esperávamos uma sinceridade e firmeza maiores, menos respeito humano; enfim, menos conversa pra boi dormir.

E aí, o padre termina advertindo aos católicos - que parecem ser o grande foco de ataque dele; os gayzistas ficaram intocados. Diríamos que a atitude do Pe. Fábio prefigura a instauração do funesto PL 122/2006 que instaura a intocabilidade dos gays e lhes eleva quase à qualidade de sacrossantos objetos de culto - que cuidem para que o seu discurso não se torne um lugar de conforto. Conforto? Será confortável ficarmos sendo visados e sendo chamados de fanáticos? Será confortável sermos apontados na rua e sermos chamados de homofóbicos? Será confortável estarmos sendo ameaçados de prisão por manter uma coerência com a Fé que professamos? Ou será que não é mais confortável ir a uma televisão onde o idolatram, onde o padre faz sucesso pelas melosidades que declama, pela bela estética do seu rosto e, por fim, por ficar sempre no meio termo, sem querer se comprometer de modo claro? Quem está mesmo no lugar de conforto?

E apelando para o que o mesmo Pe. Fábio disse: se não sabe o que é a lei, não fala! Vai ler antes de fazer estrago na TV! Sacerdócio não é brincadeira! E se o Padre evoca a figura de Jesus, nós perguntamos: que Jesus será que o padre conheceu? Um Jesus romântico? Será que o padre acha que foi por querer ser amiguinho de todo mundo que Jesus foi à Cruz? Sugerimos ao padre que dê uma lida direito nos Evangelhos.

Por fim, há uns trechos de S. Josemaria Escrivá que parecem ser perfeitamente aplicáveis ao Pe. Fábio. Vão abaixo:

"Nunca queres "esgotar a verdade". - umas vezes, por correção. Outras - a maioria -, para não passares um mau bocado. Algumas, para evitá-lo aos outros. E, sempre, por covardia. Assim, com esse medo de aprofundar, jamais serás homem de critério.

Não tenhas medo à verdade, ainda que a verdade te acarrete a morte.

Não gosto de tanto eufemismo: à covardia, chamais prudência. - E a vossa "prudência" é ocasião para que os inimigos de Deus, com o cérebro vazio de idéias, tomem ares de sábios e ascendam a postos a que nunca deviam ascender.

Esse abuso não é irremediável. - É falta de caráter permitir que continue, como coisa desesperada e sem possível retificação. Não te esquives ao dever. - Cumpre-o em toda a linha, ainda que outros deixem de cumpri-lo.

Tens, como por aí se diz, "muita lábia". - Mas, com todo o teu palavreado, não conseguirás que eu justifique o que não tem justificação."

S. Josemaria Escrivá, Caminho, grifos meus


Que Deus esclareça este padre que, se tivesse um pouco do bom senso que ele recomenda aos outros, poderia fazer tanto bem...

Fábio

A Fé - o que é?


Desde que o ato de fé é o primeiro passo para a contemplação e para a visão beatífica, é extremamente importante a exata noção do que é realmente a fé. A fé é uma virtude sobrenatural, cuja função é capacitar a inteligência a dar firme e completo assentimento a verdades reveladas por Deus, não à força da clara evidência intrínseca das suas proposições sobre Deus, mas pela autoridade do próprio Deus que nos revela o que efetivamente não vemos.

Esse assentimento intelectual é feito por um livre ato da vontade iluminada e guiada pela graça e precedida de um julgamento racional da credibilidade, que não é, porém, o motivo interno da fé. A Igreja tem constantemente defendido o caráter intelectual do ato de fé. Seria um grave erro de doutrina sustentar que a fé é um "cego movimento da vontade". A Igreja, todavia, defende também o caráter essencialmente obscuro da fé. Ela não é e não pode ser assentimento dado à intrínseca evidência. Ela é essencialmente o "argumento de coisas que não aparecem". Cremos o que não vemos e por isto o ato de fé deixa de ser puramente intelectual: é elicitado sob o impulso da vontade.

Assim a Igreja defende o caráter essencialmente sobrenatural da fé. É um dom de Deus. É produzida sob a inspiração da graça, que age diretamente sobre as potências da alma, movidas, por assim dizer, pelo "dedo de Deus". Em cada ato de fé, o Espírito Santo toma a nossa vontade, que se afastara de Deus pelo pecado e "corrige" o seu objeto, enquanto, ao mesmo tempo ilumina a inteligência, e assim nós cremos (1).

Finalmente, qual é o objeto da fé? Deus mesmo. A fé termina em Deus, nesse sentido que cada artigo da verdade revelada acaba em Deus ou a Ele se refere, e também enquanto é por submissão à autoridade de Deus que a nossa mente aceita o que cremos.

Com este breve esboço do essencial da fé, podemos compreender o peso teológico da afirmação que faz S. João da Cruz, que "a fé, e só ela, é o meio próximo e proporcional pelo qual a alma é unida a Deus"(2). E em outro lugar: "esse conhecimento obscuro e amoroso, que é a fé, serve como um meio à união divina nesta vida, assim como, na outra, a luz da glória serve de intermediário à clara visão de Deus"(3).

S. João apenas repete a famosa expressão em que S. Tomás chama a fé início da vida eterna, quaedam inchoatio vitae aeternae. É a doutrina da Igreja no Catecismo do Concílio de Trento, onde lemos:

"A fé aguça tanto o poder da inteligência humana, que esta pode penetrar nos céus sem esforço e, banhada com a luz de Deus, se torna capaz de atingir em primeiro lugar a Fonte da Luz e, depois, todas as coisas abaixo de Deus... de tal modo que experimentamos com grande exultação a verdade de que fomos chamados das trevas à sua admirável luz, e nos alegramos com imenso alvoroço".

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1- Cf.: Definições do Concílio de Orange, Denz, 178-180.
2- Subida, Livro II, n. 9.
3- Subida, Livro II, n. 24.

Thomas Merton, Ascensão Para a Verdade, Cap. XV, pp. 184-185

Notícias sobre Gayice e Burrice

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- Primeiramente, uma ousada convocação dos gays - que se afirmam representantes da "tolerância" - para se reunirem, hoje, 01 de junho de 2011, em frente à Catedral de Brasília. E para quê? Para queimar livros religiosos! Se tais fossem os do Frei Betto sem noção, ou os do seu outro parceiro de dupla sertaneja, o Boff, a coisa não seria de todo ruim. Mas, e se entre os livros escolhidos, como parece evidente, estiverem Bíblias? Vejam o tipo de gente a quem querem conferir intocabilidade! Será que queimariam o Corão? Leiam a notícia aqui.

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- Outra: imaginemos que estivéssemos, agora, num colégio de crianças onde, teoricamente, deve reinar a disciplina e os alunos são educados, não somente nos rudimentos intelectuais, mas também nos costumes morais. No entanto, um dos alunos é flagrado entre "ousadias e indecências" com outro aluno. O que a vice-diretora faz? Dá-lhe uma suspensão de dois dias. Nada mais natural. Isso realmente aconteceu. Porém, estranhamente a mãe da criança foi na Secretaria da Educação reclamar da atitude da professora. Hein?! Ah, tá! Vá lá... há mães sem noção também, né? Mas, o que vocês acham que a Secretaria de Educação falou? "Minha senhora, a educadora agiu com razão, pois atitudes imorais destoam do ambiente escolar, não são apropriadas para crianças, podem servir de mau exemplo para os demais e, se não corrigidas, poderão resultar numa ulterior permissividade moral, uma não clareza da sua própria dignidade moral e da dos demais, e uma fraqueza de caráter." Não, não foi isso que a Secretaria de Educação disse. rsrs... Desculpem-me por lhes dar falsas esperanças. O que aconteceu é que chamaram a vice-diretora de "preconceituosa" e publicaram uma nota onde se lia: "Lamentamos a atitude da vice-diretora. Nossa orientação é sempre no sentido da inclusão e de respeito às diferenças. Atuamos de forma pedagógica, na perspectiva de construção do indivíduo e sua cidadania, com inclusão social, de gênero e de respeito à diversidade". Pois é. Deus queira que nesta escola nunca apareça um professor pedófilo, pois, se tal acontecesse, ele poderia ser liberado com uma nota parecida: "nossa orientação é sempre no sentido da inclusão e de respeito às diferenças". Leia aqui.

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Por fim, aquele que já está sendo, com razão, chamado o "Quiti Inguinoranssa" (será obra do Tiririca?) e que defende o uso ERRADO da Língua Portuguesa, afirmando que falar certo pode caracterizar preconceito. Chegaremos, talvez, ao dia em que um desses analfabetos funcionais, com ar de superioridade, ridicularizará alguém que fale certo na sua frente? Imaginem a cena: chega um senhor num ponto comercial e pergunta: "os senhores, por gentileza, poderiam me informar, se não abuso da vossa bondade, o melhor meio de chegar a este estabelecimento de cujo nome disponho aqui neste cartão?" Aí, os senhores lá se entreolham e começam a sorrir - mangar - freneticamente! "Hahaha! Cuma? Cuma que ocê falasse? hahaha..  ocê num estudô não, homi? Que buro, dá zeru pra êli" Ou isso, ou então isso: "Puliça! Prenda ece homi! Ocê tá prezo pur preconseitu cum nóis." A essa altura, teremos o Seu Crêyson pra presidente. Ou então o Lula de novo... Leiam aqui e aqui.

Não deixem, ainda, de votar na enquete do Sou Conservador e que traz a pergunta: "Nóis semo contra o a favô das mudanssa na lingoa portugueza?", e como respostas: "Nóis semo a favo", "Nós somos contra!" e "Nóis num çabemu".

Que Nossa Senhora proteja o Brasil desses que brincam com o seu povo.
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